Macron anuncia ampliação de ogivas nucleares francesas pela primeira vez desde 1992
Presidente francês reforça estratégia de dissuasão diante de incertezas sobre a segurança europeia e amplia diálogo com aliados.
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (2) a ampliação do número de ogivas nucleares no arsenal francês, uma medida inédita desde 1992. Segundo Macron, a decisão representa um novo passo na estratégia de dissuasão do país diante das incertezas crescentes sobre a segurança na Europa.
“Eu decidi aumentar o número de ogivas do nosso arsenal”, declarou Macron durante discurso na base militar de Île Longue, no noroeste da França, onde estão localizados os submarinos lançadores de mísseis balísticos. O presidente não revelou detalhes sobre o volume do aumento, ressaltando que “o número de ogivas em nosso arsenal é confidencial” e que a França não informará publicamente a quantidade de armamentos no futuro.
Atualmente, o estoque francês conta com menos de 300 ogivas, de acordo com informações oficiais. Será a primeira ampliação do arsenal nuclear francês em mais de três décadas. “Uma atualização do nosso arsenal nuclear é essencial”, afirmou Macron, classificando a medida como um novo estágio da dissuasão, que chamou de “dissuasão avançada”. Apesar de sinalizar abertura para maior cooperação, o presidente frisou que a decisão final sobre o uso de armas nucleares continuará sendo exclusiva da França.
Macron também afirmou que alguns parceiros europeus estão dispostos a manter um diálogo estratégico com a França sobre exercícios nucleares. A Alemanha terá “papel central” nessas discussões, enquanto Polônia, Holanda, Bélgica e Dinamarca também participarão dos esforços franceses. Segundo o presidente, Berlim já concordou em iniciar conversas sobre cooperação em dissuasão nuclear.
O presidente francês destacou ainda que a dissuasão nuclear da França é complementar à missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e que a revisão da doutrina foi realizada de forma transparente com Estados Unidos e Reino Unido. Em situações específicas, poderá haver deslocamento de ativos estratégicos entre aliados. A França é a única potência nuclear da União Europeia (UE). Macron reiterou que qualquer decisão sobre o emprego do arsenal nuclear permanecerá como prerrogativa exclusiva do presidente francês.
Com informações da Associated Press