Múcio vê cenário de conflito constante e defende mais investimentos nas Forças Armadas
Ministro diz que Brasil está preparado para crises, mas destaca necessidade de ampliar recursos para Defesa em meio à tensão global.
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta segunda-feira, 2, que as Forças Armadas acompanham atentamente a escalada de tensão no Oriente Médio, após os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Diante desse contexto, Múcio defendeu o aumento dos investimentos públicos no setor militar, ressaltando a importância de proteger o País em um mundo onde "todo mundo está armado" e os conflitos se tornaram uma constante.
"Por enquanto, é só expectativa em relação ao Oriente Médio. Eu sempre digo que o mundo todo se armou. Não existe mais ninguém desarmado. De certa forma, isso ajuda a que se tenham precauções", afirmou o ministro. "Desarmado não tem mais ninguém no mundo, de maneira que eu acho que a gente vai ter que conviver permanentemente neste conflito", completou.
Múcio defende que o Brasil invista ao menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa militar. Atualmente, esse percentual supera 1%, enquanto a média mundial é de 2,4%. Apesar de cobrar mais recursos para a área, o ministro ponderou que, "com todo mundo armado, a principal arma passou a ser a diplomacia", e afirmou que o Brasil já está preparado para enfrentar eventuais crises.
As apostas na diplomacia e no fortalecimento do multilateralismo têm sido as principais estratégias do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do aumento dos conflitos militares, especialmente na América Latina, com a deposição de Nicolás Maduro na Venezuela e as crescentes ameaças dos Estados Unidos de possível intervenção em Cuba, que enfrenta agravamento dos bloqueios impostos pela potência vizinha.
"Assim como foi na Venezuela, ou nestes países onde nós temos perspectivas de ter problema, nós estamos preparados. Não para agredir. A Força Armada brasileira existe para dissuasão. Atuamos para proteger o nosso País. Quando digo que precisamos investir mais em defesa, é para proteger o que somos, o que temos, as nossas riquezas, que são muitas. Temos Forças muito menores do que a nossa necessidade", justificou Múcio.
"Não podemos relegar uma coisa importantíssima, que é a defesa, por conta de outras prioridades. É também uma prioridade e, no Brasil, não tem sido. Precisa ser. Este governo tem dado prioridade", acrescentou.
Questionado pelo Estadão sobre se a inteligência do Exército monitora a possibilidade de novas ações militares na região, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, afirmou que a instituição "acompanha tudo com muita atenção", inclusive a escalada da guerra no Irã. Mais cedo, em discurso, o comandante ressaltou que o "Exército atua permanentemente em defesa da soberania".
A defesa da soberania nacional tornou-se um dos principais motes do governo Lula após o tarifaço aplicado pela gestão Donald Trump e as sanções impostas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Inclusão de mulheres nas Forças Armadas
As declarações de Múcio e Tomás Paiva foram feitas durante a cerimônia de ingresso de 1.467 mulheres ao Exército (1.010), à Marinha (157) e à Aeronáutica (300).
"Hoje testemunhamos, pela primeira vez na história deste País, a apresentação de mulheres inscritas para o serviço militar voluntário", destacou Múcio. "É uma vitória da sociedade brasileira, não só das mulheres", completou.
O ministro também ressaltou que, recentemente, o Exército propôs, pela primeira vez, a promoção de uma mulher ao posto de general de brigada. A indicada foi a coronel médica Claudia Lima Gusmão Cacho.