MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa recua com tensão geopolítica, mas alta do petróleo limita perdas

Conflito entre EUA e Irã eleva aversão ao risco e pressiona bolsas; ações do setor petroleiro ganham destaque positivo

Publicado em 02/03/2026 às 10:50
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ibovespa iniciou a sessão desta segunda-feira, 2, em queda, refletindo o aumento da aversão ao risco global diante dos conflitos geopolíticos entre Estados Unidos e Irã. A semana é marcada por divulgações relevantes, como o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e o payroll nos Estados Unidos. Apesar do cenário negativo, o recuo do principal índice da B3 é parcialmente compensado pela valorização dos contratos futuros de petróleo no exterior e pela alta de 0,87% do minério de ferro em Dalian, na China.

As cotações do petróleo Brent, referência internacional, avançam quase 9% em Londres, beneficiando ações do setor petroleiro na B3. O receio de um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota de mais de 20% do petróleo mundial, pode elevar o preço do barril para US$ 100, segundo analistas. Esse cenário aumenta preocupações com a inflação global e pode levar a uma política monetária menos flexível no mundo.

“O Ibovespa deve estender a correção registrada na sexta-feira, quando fechou pouco abaixo dos 189 mil pontos. Por outro lado, ações de empresas petrolíferas como a Petrobras podem ser favorecidas pela alta da commodity”, afirma Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.

Os ataques dos EUA e do Iraque ao Irã, no sábado, 28, resultaram na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e de outras pessoas, elevando o nível de preocupação quanto à escalada e à duração do conflito por parte das autoridades internacionais.

A aversão ao risco afeta as bolsas globais, enquanto o dólar se valoriza frente a diversas moedas, inclusive o real. Os juros futuros também registram alta. O presidente dos EUA, Donald Trump, prevê que a operação no Irã dure quatro semanas, enquanto o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, sinalizou uma intensificação dos ataques.

Após intensificar as perdas por volta das 10h30, atingindo a faixa dos 186 mil pontos, ante abertura em 188 mil pontos, o Ibovespa reduziu o ritmo de queda. Poucas ações operavam em alta, a maioria ligada ao setor petroleiro, impulsionadas pela valorização do petróleo.

Entre 85 papéis, oito subiam às 10h17, com Prio liderando os ganhos, avançando 4,42%. Petrobras registrava alta de 3,15% (PN) e 2,83% (ON). “O sinal claro é de aversão ao risco”, observa Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, ao comentar o clima cauteloso causado pelos conflitos entre EUA, Israel e Irã.

Segundo Costa, a alta do petróleo e do dólar tende a aumentar a volatilidade e pressionar a economia brasileira e a inflação. “Até mesmo os cortes de juros esperados correm risco”, avalia.

No horário mencionado, o Ibovespa caía 0,48%, aos 187.867,90 pontos, após atingir mínima de 186.961,21 pontos e máxima de 188.786,34 pontos na abertura.

As maiores quedas eram registradas por ações mais sensíveis ao ciclo econômico, como Magazine Luiza (-3,74%), MRV (-3,32%), Cyrella (-2,68%) e Cogna (-2,57%). Braskem PNA também recuava (-3,34%), após divulgar resultados operacionais do quarto trimestre, com vendas de 595 mil toneladas de principais químicos no Brasil, queda de 13% em um ano.

Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou em baixa de 1,16%, aos 188.786,98 pontos, acumulando ganhos de 4,08% em fevereiro.