China deve aprovar plano econômico para rivalizar com os EUA nas 'Duas Sessões'
Congresso Nacional do Povo chinês discute metas de crescimento, política fiscal e avanços tecnológicos para os próximos anos.
As 'Duas Sessões' da China, um dos eventos políticos mais relevantes do ano para quem acompanha a dinâmica de Pequim, têm início nesta semana e reúnem a elite do país para definir os rumos da segunda maior economia do mundo. Durante o Congresso Nacional do Povo chinês, cerca de três mil representantes devem aprovar um plano econômico de cinco anos, com foco em transformar a China em uma superpotência tecnológica capaz de rivalizar com os Estados Unidos.
A definição dessas metas ocorre em um contexto de alta volatilidade global, marcado por tarifas, tensões geopolíticas que afetam fluxos comerciais e mercados, além de desafios internos que impactam o poder econômico chinês. Especialistas destacam três pontos centrais para o evento: a meta de crescimento, a política fiscal e o incentivo ao consumo.
Em relação à meta de crescimento, economistas projetam que o governo estabeleça uma meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5% para 2026, considerada mais flexível e pragmática do que a meta de "cerca de 5%" mantida nos últimos três anos.
No que diz respeito à política fiscal, a hesitação de Pequim em adotar medidas fiscais mais agressivas tem gerado frustração entre analistas que defendem estímulos para impulsionar o crescimento baseado no consumo. Segundo Alex Loo, da TD Securities, a sinalização predominante da liderança chinesa para 2026 deve ser de continuidade da política macroeconômica. O déficit fiscal oficial deve permanecer em torno de 4% do PIB, e as cotas para emissão de títulos dos governos locais tendem a se manter estáveis.
Sobre o consumo, há grande atenção em relação ao grau de prioridade que o governo dará à revitalização do mercado consumidor. Embora Pequim tenha adotado medidas em diferentes frentes, o avanço é considerado lento, com mudanças implementadas gradualmente.
Economistas do Morgan Stanley preveem continuidade das políticas atuais, sem grandes mudanças, já que a rivalidade tecnológica com os EUA mantém o foco chinês na localização tecnológica e na modernização industrial.
Fonte: Dow Jones Newswires