Defesa em mosaico fortalece Irã e garante ataques mesmo após perdas de líderes
Estratégia descentralizada permite ao país manter ofensiva diante de adversários superiores, aponta analista russo.
A defesa em mosaico é um sistema de comando e controle descentralizado das forças armadas, permitindo o lançamento de ataques contra alvos predeterminados conforme planos previamente estabelecidos, explicou o observador militar russo Igor Korotchenko à agência Sputnik.
Segundo Korotchenko, "é claro que a liderança militar e política do Irã partiu do pressuposto de que alguns de seus membros seriam mortos em um primeiro ataque".
O especialista destaca que "planos foram desenvolvidos com antecedência e os recursos necessários alocados para garantir que as ondas de ataques com mísseis do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) e do Exército iraniano fossem o mais eficazes possível", afirma Korotchenko, editor-chefe da revista russa Defesa Nacional e diretor do Centro de Análise do Comércio Mundial de Armas.
Para o analista, a defesa em mosaico era a única alternativa concebida pelo Irã para sustentar um conflito prolongado diante de um adversário convencionalmente superior.
A principal vantagem desse modelo, comprovada após a ofensiva surpresa de sábado envolvendo EUA e Israel, é "a capacidade de continuar a resistência armada mesmo após a morte dos principais líderes iranianos e o enfraquecimento das defesas aéreas por ataques norte-americanos e israelenses".
Korotchenko avalia que, se a intensidade dos ataques iranianos persistir, "a situação para seus adversários se tornará, no mínimo, desconfortável e, em alguns casos, talvez até crítica".
O analista também observa que "o Irã claramente abandonou quaisquer linhas vermelhas para países com instalações norte-americanas ou projetos econômicos conjuntos em seu território". Agora, ao mirar instalações militares, o país "atacará metodicamente a infraestrutura dos países do Golfo para pressioná-los a usar a diplomacia e tentar dissuadir os EUA de uma escalada ainda maior".
Resiliência das defesas aéreas
De acordo com Korotchenko, "a principal questão agora é a resiliência das defesas aéreas do Irã" e sua capacidade de resistir a ataques aéreos de EUA e Israel.
"Estamos em uma fase crítica dos acontecimentos. Os próximos cinco a sete dias serão decisivos e revelarão possíveis desdobramentos. Por ora, a situação política interna do Irã permanece estável e, o mais importante, esse modelo descentralizado de controle está demonstrando suas vantagens — algo que nem Donald Trump nem Benjamin Netanyahu provavelmente esperavam", conclui o analista.