CSN negocia empréstimo de até US$ 1,5 bilhão para quitar dívidas
Companhia busca linha de crédito com grupo de bancos, usando ações da CSN Cimentos como garantia, para refinanciar compromissos no exterior e no Brasil.
A CSN avançou nas negociações para a contratação de um empréstimo com um grupo de bancos, em operação que terá as ações da CSN Cimentos como uma das garantias, conforme apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
O valor negociado varia entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão, dependendo de condições ainda em discussão, como taxas de juros e garantias adicionais, segundo fontes próximas às conversas. Uma delas afirmou que a expectativa é positiva para a conclusão do acordo ainda em março.
Procurados, CSN e os bancos envolvidos não comentaram o assunto.
Segundo apuração, os recursos serão utilizados para quitar títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) que vencem em abril deste ano, além de dívidas bancárias, e para recomprar parte dos bonds com vencimento em 2028.
Grande parte dos vencimentos de 2026 está concentrada em dívidas junto a bancos. Conforme o balanço mais recente, referente ao terceiro trimestre de 2023, os compromissos com bancos somam R$ 6,2 bilhões para este ano.
Morgan Stanley e Santander, que receberam mandato para a venda da CSN Cimentos, estão entre as instituições que compõem o sindicato do empréstimo. Também participam Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC, podendo outros bancos serem incluídos.
A operação é uma alternativa diante das dificuldades da CSN em refinanciar suas dívidas, permitindo que os bancos troquem créditos atuais por novos compromissos com garantias. Ao fim do terceiro trimestre de 2023, a dívida líquida da CSN era de R$ 37,545 bilhões, sendo R$ 26,9 bilhões com vencimento entre este ano e 2028.
Mercado externo
A possibilidade de a CSN acessar o mercado internacional de dívida com uma nova emissão é vista com ceticismo, já que exigiria o pagamento de prêmio elevado aos investidores.
Recentes dificuldades enfrentadas por grandes empresas brasileiras, como Braskem e Raízen, enfraqueceram o ambiente para captações externas. O elevado endividamento da CSN colocou a empresa no radar de investidores estrangeiros, que temem uma nova reestruturação forçada de passivos.
Na semana passada, a Fitch rebaixou o rating da CSN de "BB-" para "B", mantendo observação negativa e refletindo os desafios para a execução da estratégia de desalavancagem via venda de ativos no médio prazo.
Em janeiro, a empresa anunciou a alienação de ativos para reequilibrar, de forma definitiva, sua estrutura de capital. Além da venda da operação de cimentos, a CSN contratou o Citi e o Bradesco para buscar sócios para o segmento de infraestrutura.
Com informações de O Estado de S. Paulo.