Bloqueio no estreito de Ormuz pode afetar fornecimento de fertilizantes ao Brasil
Instabilidade na principal rota marítima eleva risco para o agronegócio brasileiro, que depende de insumos importados
O fechamento parcial do estreito de Ormuz pode impactar de forma significativa o mercado global de fertilizantes, prejudicando diretamente a agricultura brasileira, conforme destaca a agência de notícias CNN Brasil.
A reportagem ressalta que, caso a instabilidade persista, o transporte de fertilizantes nitrogenados — insumos essenciais para o agronegócio — tende a ser ainda mais afetado.
"Além de ser uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás natural, com cerca de 20% do consumo mundial passando pela via, o estreito também é estratégico para o escoamento de insumos industriais, incluindo fertilizantes nitrogenados", informa a matéria.
O artigo aponta que possíveis restrições à navegação podem comprometer a logística das exportações e influenciar a definição dos preços internacionais.
Outro destaque é que o Oriente Médio responde por mais de 40% das exportações mundiais de ureia. Em 2024, o Irã produziu cerca de nove milhões de toneladas, das quais aproximadamente metade foi enviada a países como Turquia, Brasil e África do Sul.
"O Brasil importou cerca de 7,7 milhões de toneladas de ureia em 2025. Nigéria, Rússia e Omã estão entre os principais fornecedores. Parte dos volumes registrados como originários de Omã pode incluir cargas provenientes do Irã, o que pode gerar distorções estatísticas nos dados comerciais", acrescenta a reportagem.
Nesse contexto, a produção de ureia depende do gás natural, fundamental para a fabricação de amônia, base do fertilizante.
Dessa forma, oscilações nos preços do petróleo e do gás acabam impactando diretamente o custo do produto. O artigo conclui que, caso as restrições no estreito de Ormuz persistam, os efeitos sobre os preços e o abastecimento de fertilizantes tendem a ser ainda mais expressivos, afetando o setor agrícola brasileiro.
Vale ressaltar que imagens recentes do tráfego marítimo na área mostram que a maioria das embarcações, exceto as chinesas e iranianas, interrompeu as travessias, evitando o estreito em meio a alertas oficiais dos EUA e rumores sobre um possível bloqueio por parte do Irã.
Pelo estreito de Ormuz circulam cerca de 20% a 25% do consumo global de petróleo e 33% das exportações mundiais de gás. Aproximadamente 80% desse volume é destinado à China, Índia e outros países asiáticos.
Por Sputinik Brasil