EUA enfrentam escassez de munições em operações globais, alerta analista
Brian Berletic destaca que os estoques norte-americanos podem se esgotar em poucos dias em meio a conflitos simultâneos.
O principal desafio dos Estados Unidos no Oriente Médio é a sua expansão militar global excessiva, afirmou à Sputnik o analista geopolítico Brian Berletic, ao comentar reportagem da Bloomberg sobre o risco de esgotamento dos estoques de interceptadores de mísseis norte-americanos caso persistam ataques retaliatórios iranianos.
De acordo com Berletic, Washington tenta conduzir múltiplos conflitos e guerras por procuração em diferentes regiões do mundo, da América Latina à Ucrânia, passando pelo Oriente Médio, Irã e Iêmen.
Simultaneamente, os EUA concentram esforços para um possível confronto com a China na região da Ásia-Pacífico, mas não possuem munições suficientes para sustentar todas essas frentes.
"É difícil prever por quanto tempo os estoques dos EUA e de Israel durarão no ritmo atual de uso [dois a três interceptadores por míssil], mas eles já estavam significativamente esgotados mesmo antes do início da última rodada de agressões", destacou o analista.
Segundo Berletic, a estratégia norte-americana tem priorizado a redistribuição dos estoques já existentes pelo mundo, em vez de investir na produção de novas munições.
Nesse contexto, ele observa que, após os ataques de junho de 2025, os EUA suspenderam operações diretas e passaram a adotar métodos assimétricos para enfraquecer a economia e desestabilizar politicamente o Irã.
Além disso, os EUA buscaram minar a capacidade militar iraniana ao transferir armas e munições de diversas bases ao redor do mundo para sustentar novas ofensivas.
"É possível que os Estados Unidos repitam esse processo se o Irã conseguir resistir por mais tempo do que os estoques dos EUA permitam para um ataque efetivo", acrescentou Berletic.
O especialista também ressaltou que os contribuintes norte-americanos arcam com todos os custos dessas guerras, não apenas por meio de impostos destinados ao orçamento militar, mas também pelo desvio de recursos que poderiam ser aplicados em infraestrutura, saúde e educação nos Estados Unidos.
A Bloomberg já havia informado que os estoques de munições dos EUA e de Israel podem se esgotar em poucos dias, caso os ataques iranianos mantenham a mesma intensidade.
Segundo a agência, a capacidade dos EUA, de Israel e dos países do Golfo Pérsico para resistir a ofensivas iranianas depende do número de interceptadores disponíveis, que possivelmente estão em níveis críticos após os confrontos intensos do último ano.
Por Sputnik Brasil