Analistas apontam países mais dependentes do petróleo iraniano e do trânsito no estreito de Ormuz
China, Índia, Japão e Coreia do Sul lideram a lista de maiores compradores e são os mais afetados por possíveis bloqueios na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio.
Países do Leste e Sul da Ásia, especialmente China, Índia, Japão e Coreia do Sul, figuram entre os maiores compradores de petróleo iraniano e dependem fortemente do trânsito desse recurso pelo estreito de Ormuz. A avaliação foi feita por especialistas ouvidos pela Sputnik, em meio a alertas recentes sobre a insegurança da rota devido à escalada de tensões na região.
No sábado (28), o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC) alertou embarcações sobre os riscos de navegação no estreito de Ormuz, após ataques envolvendo EUA, Israel e o próprio Irã. Já no domingo (1º), Mohsen Rezaee, membro do Conselho de Discernimento de Conveniência do Irã — o mais alto órgão consultivo do país — afirmou que o comércio pelo estreito está suspenso até novo aviso.
Segundo Pavel Sevostyanov, professor associado do Departamento de Análise Política e Processos Sociopsicológicos da Universidade de Economia Plekhanov, da Rússia, "os países mais sensíveis aos fornecimentos de petróleo do Irã e ao trânsito pelo estreito de Ormuz são China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo estreito, o que representa cerca de um quinto do consumo global".
Sevostyanov destaca ainda que, para várias economias asiáticas, a participação do petróleo do Oriente Médio nas importações supera 60-70%. Assim, qualquer interrupção tem impacto imediato nos preços e no custo do frete. Embora a Europa importe um volume físico menor, o choque de preços decorrente de um bloqueio também a afetaria diretamente, acrescenta o especialista.
O analista independente Leonid Khazanov reforça que "do fornecimento de petróleo pelo estreito de Ormuz dependem diretamente, principalmente, China, Índia, Turquia e países da União Europeia. Com o fechamento do estreito, o Irã mantém sob controle o mercado global de petróleo, combustíveis e, consequentemente, de diesel e toda a indústria petroquímica".
Khazanov observa que as refinarias de China, Índia, Turquia e Europa possuem estoques de petróleo, mas a dúvida é quanto tempo essas reservas durarão caso o conflito se prolongue. "Admito que possa haver fechamento de refinarias nesses países consumidores do petróleo do Oriente Médio. Uma alternativa seria comprar mais petróleo da Rússia ou aumentar as compras, dependendo do país. Se for Índia ou China, provavelmente ampliarão as importações; se for a União Europeia, terão de buscar alternativas ou negociar com outros fornecedores", avalia.
O especialista também questiona a capacidade de outros países, como a Nigéria, de elevar a produção e suprir a demanda dos grandes importadores de petróleo do Oriente Médio.
Por Sputnik Brasil