China amplia liderança e mira trilhões em investimentos em energia limpa
Com domínio tecnológico e produção em larga escala, chineses buscam protagonismo em infraestrutura verde mundial
Empresas chinesas estão na vanguarda da expansão global da infraestrutura de energia limpa, posicionando-se para capturar uma fatia significativa de um mercado que pode movimentar trilhões de dólares nas próximas décadas. Analistas destacam que a China combina escala industrial, custos competitivos e domínio tecnológico para atender à crescente demanda mundial por soluções verdes.
Segundo o South China Morning Post, Pequim está preparada para liderar o setor de infraestrutura de energia limpa em nível global. O país já consolidou um robusto ecossistema doméstico de energia renovável, abrangendo desde painéis solares e turbinas eólicas até veículos e baterias elétricas. Esse avanço permitiu que empresas chinesas acumulassem experiência, capacidade produtiva e competitividade dificilmente igualadas por concorrentes internacionais.
Especialistas ouvidos pela mídia ressaltam que esse contexto cria uma oportunidade excepcional para as companhias chinesas atraírem parte dos investimentos globais necessários para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Estimativas do G20 indicam que serão necessários US$ 94 trilhões (cerca de R$ 483 trilhões) em infraestrutura até 2040, e a China já se destaca nesse setor, com uma produção econômica de energia limpa equivalente ao PIB do Brasil.
No cenário internacional, a liderança chinesa é evidente: mais da metade dos veículos elétricos e da capacidade solar instalada mundialmente está no país, que exportou mais de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 102,6 bilhões) em tecnologia limpa apenas em agosto de 2025. Além disso, empresas chinesas ampliaram contratos de energia verde na Iniciativa Cinturão e Rota, atingindo um recorde de US$ 18,3 bilhões (mais de R$ 93,9 bilhões).
Apesar desse avanço, a China mantém investimentos expressivos em combustíveis fósseis. Em 2025, entidades chinesas firmaram US$ 71,5 bilhões (cerca de R$ 366,8 bilhões) em contratos de petróleo e gás na Cinturão e Rota, mais que o triplo do registrado no ano anterior. Para países mais pobres, projetos tradicionais ainda são mais acessíveis e atraentes.
Com o aumento dos riscos das mudanças climáticas, acadêmicos têm pressionado Pequim a direcionar seus investimentos externos para infraestrutura de adaptação climática. Eles alertam que eventos como calor extremo e inundações podem comprometer a produtividade de projetos convencionais e gerar prejuízos econômicos.
Nos últimos anos, a China já iniciou um ajuste em sua estratégia, priorizando projetos menores e mais sustentáveis dentro da iniciativa. Essa abordagem, chamada de "pequena, porém bela", favorece soluções modulares e descentralizadas de energia renovável, consideradas mais resilientes e alinhadas às demandas climáticas do futuro.
Por Sputinik Brasil