CONFLITO NA ÁSIA CENTRAL

Afeganistão dispara contra aviões paquistaneses sobre Cabul enquanto tensão cresce

Confrontos entre Talibã e Paquistão se intensificam, com ataques aéreos, vítimas civis e apelos internacionais por mediação.

Publicado em 01/03/2026 às 03:08
Aviões paquistaneses sobrevoam Cabul durante intensificação dos confrontos com o Afeganistão. © AP Photo / Wali Sabawoon

O governo do Afeganistão informou neste domingo (1º) que disparou contra aviões militares do Paquistão sobre Cabul, após explosões e intensos tiroteios registrados na capital afegã.

O Estado afegão, atualmente sob comando do Talibã, relatou ter sido alvo de ataques paquistaneses a instalações governamentais na última semana. O Paquistão alega que o Afeganistão abriga militantes responsáveis por ações violentas, acusação que Cabul nega.

Ambos os governos confirmaram, na última quinta-feira (26), confrontos em vários pontos da fronteira, com relatos de pesadas baixas entre civis e forças de segurança.

No dia 22 de fevereiro, o Paquistão realizou ataques aéreos na fronteira afegã, mirando campos e esconderijos do Talibã paquistanês. Essas ações ocorreram durante o mês sagrado do Ramadã para os muçulmanos.

Não é a primeira vez que os países entram em confronto desde a ascensão do Talibã ao poder em Cabul. Em outubro do ano passado, houve registros de embates em razão das atividades do Talibã paquistanês.

Os combates de 2026, porém, são considerados mais intensos e geram apreensão regional. Catar e Arábia Saudita já se manifestaram em favor de uma contenção e se ofereceram para mediar um cessar-fogo.

O Irã, que faz fronteira com ambos os países, também propôs apoio à mediação, antes de ser alvo de um ataque de Israel e dos EUA neste sábado (28).

O grupo militante atua na região fronteiriça de maioria étnica pachto, mas não é afiliado ao Talibã afegão. Ainda assim, o governo paquistanês acusa Cabul de permitir a atuação do grupo em solo afegão.

A recente onda de violência segue-se a ataques aéreos dentro do Afeganistão, que, segundo o Paquistão, tiveram como alvo a infraestrutura militante. O Afeganistão classificou as ações como violação de soberania e anunciou operações retaliatórias ao longo da fronteira.

Por Sputnik Brasil