MERCADO INTERNACIONAL

Conflito entre EUA, Israel e Irã pode impulsionar exportação brasileira, mas eleva risco de inflação

Especialista avalia que alta do petróleo favorece exportações do Brasil, mas pode pressionar preços internos e inflação global.

Publicado em 28/02/2026 às 12:33
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O impacto imediato do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e da resposta iraniana, deve ser a continuidade da alta no preço do barril de petróleo. Para a Petrobras e para as exportações brasileiras de petróleo, o cenário é positivo, segundo avaliação do sócio-estrategista da Equator Investimentos, Eduardo Velho. No entanto, o risco é de aumento na necessidade de reajuste do preço doméstico da gasolina.

“Nesse caso, o governo brasileiro e a Petrobras não devem realizar nenhum reajuste precipitado, pois a decisão dependerá de uma média móvel superior a 30 dias, do nível dos estoques, da taxa de câmbio e, sobretudo, da duração dessa intervenção militar dos EUA”, afirmou Velho em entrevista neste sábado.

Ele acrescenta que a intensidade da alta do petróleo tende a se acentuar caso haja restrição da produção no Estreito de Ormuz. “Se essa intervenção militar for rápida, é provável que haja uma devolução dos preços. Ainda assim, trata-se de um fator negativo para a inflação mundial e, especialmente, para os importadores de petróleo”, observou.

O preço do petróleo deve acelerar, mas em um ritmo inferior ao de períodos anteriores, quando o consumo era mais dependente das cargas que transitam pelo Estreito de Ormuz. “Um patamar acima de US$ 80 para o barril de petróleo indicaria que a intervenção militar está se prolongando, aumentando o risco para a inflação global”, disse.

Quanto à inflação nos Estados Unidos, o prolongamento do conflito aumentaria a probabilidade de manutenção dos juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano por mais tempo, na visão do especialista.

Nesse contexto de aversão ao risco, Velho avalia que pode haver continuidade na alta do ouro e de outras commodities metálicas, movimento que se soma à desaceleração estrutural da demanda por ativos dolarizados desde 2024.

No fechamento da última sexta-feira, o petróleo WTI para abril subiu 2,77% (US$ 1,81), cotado a US$ 67,02 na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já o Brent para maio avançou 2,86% (US$ 2,03), a US$ 72,87 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Na semana, WTI e Brent acumularam ganhos de 0,81% e 2,2%, respectivamente.