Dois mil anos em 462 metros quadrados: arqueólogos estudam camadas culturais em Estrasburgo (FOTOS)
Durante escavações arqueológicas em grande escala no centro histórico de Estrasburgo, foi descoberta uma extraordinária sequência de povoamento do território, abrangendo o período do Império Romano ao século XXI.
De acordo com a publicação, escavações realizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas (INRAP, na sigla em francês) na rua Sainte-Hélène, 3, revelaram os restos de uma canaba da legião romana, um complexo medieval de guildas de comerciantes de tecidos e transformações modernas.
No centro histórico de Estrasburgo, os arqueólogos escavaram uma área de 462 metros quadrados e desceram quase quatro metros abaixo do nível da rua moderna para chegar às primeiras camadas do assentamento.

Na camada mais baixa, os arqueólogos descobriram os restos da canaba da legião romana. Assim eram chamados os bairros civis onde viviam mercadores, artesãos, comerciantes e famílias associadas ao exército romano.
Foram encontrados fragmentos de paredes de gesso pintadas, telhas romanas e outros fragmentos que datam dos séculos II e III d.C.

Acima da camada romana, os arqueólogos descobriram uma densa rede de alvenaria que remonta ao final do século XII. Nesse período, os edifícios eram erguidos aqui principalmente com tijolos de cor laranja.
As paredes formam uma complexa rede de construções erguidas, reconstruídas e parcialmente desmontadas entre os séculos XIII e XVI.

Ao explorar uma camada histórica posterior, mais acima, os pesquisadores encontraram os restos de um complexo arquitetônico da Guilda dos Drapeiros, que remonta aos séculos XIV e XV.
"A descoberta mais impressionante desse período é um complexo de impressionantes latrinas abobadadas medindo 3,15 metros de comprimento, 2,50 metros de largura e 5,08 metros de altura", diz a publicação.
Os arqueólogos descobriram uma grande quantidade de cerâmica medieval, ossos de animais e peixes, fragmentos de casca de ovo, vasos de vidro, incluindo taças decoradas com bolas de vidro, utensílios de metal, como facas, e inúmeras telhas para fogões.

O sistema de guildas foi abolido em 1791 durante a Revolução Francesa, marcando um novo capítulo na história do edifício.
Os achados arqueológicos indicam mudanças estruturais subsequentes, incluindo colunas de pedra construídas com tijolos reaproveitados e blocos de arenito, fragmentos de pisos de madeira e extensas camadas de materiais destruídos.

Durante os séculos XIX e XX, o prédio serviu sucessivamente como sala de teatro, sinagoga, loja de móveis, bistrô, academia, cinema, brasserie e, por fim, depósito e alojamentos.
As últimas construções foram demolidas aqui em 2023, o que permitiu o início da reconstrução e, ao mesmo tempo, possibilitou a realização deste abrangente estudo arqueológico.