POLÍTICA INTERNACIONAL

Trump cogita 'tomada de controle amigável' de Cuba em meio a crise na ilha

Presidente dos EUA sinaliza possível intervenção diplomática enquanto escassez de combustível agrava situação humanitária cubana.

Publicado em 27/02/2026 às 16:06
Trump sugere intervenção diplomática em Cuba diante da crise de combustível e impacto humanitário. © AP Photo / Ramon Espinosa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que avalia uma "tomada de controle amigável" de Cuba, enquanto o governo norte-americano intensifica a pressão sobre o país caribenho.

"O governo cubano está conversando conosco e enfrenta problemas muito sérios, como vocês sabem. Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão dialogando conosco e talvez vejamos uma tomada de poder amigável em Cuba", declarou Trump, durante coletiva na Casa Branca, em Washington.

Na última quarta-feira (25), o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que transações de revenda de petróleo venezuelano para Cuba poderiam ser retomadas, desde que realizadas pelo setor privado cubano e destinadas a fins comerciais e humanitários. Segundo o comunicado, operações envolvendo indivíduos ou entidades ligadas ao Exército, inteligência ou outras instituições governamentais cubanas seguirão proibidas.

Em 29 de janeiro, Washington endureceu o bloqueio energético a Cuba, ameaçando impor tarifas a países que exportem petróleo para a ilha, especialmente àqueles que negociam produtos da Venezuela. A medida foi tomada após a intervenção dos EUA na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

A escassez de combustível tem afetado gravemente serviços essenciais em Cuba, inclusive no setor de saúde, prejudicando milhares de pacientes, muitos deles crianças, segundo o Ministério da Saúde Pública cubano.

De acordo com dados do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, divulgados pelo jornal mexicano La Jornada na semana passada, a falta de combustível impacta atualmente 61.830 crianças com menos de um ano de idade que necessitam de cuidados especiais.

A crise também atinge serviços vitais para pacientes diabéticos e oncológicos, além de atrasar o calendário de vacinação infantil, dificultar o atendimento a crianças com necessidades especiais e comprometer a ventilação domiciliar, aspiração mecânica, ar-condicionado e o atendimento emergencial, devido à indisponibilidade de transporte médico.

Por Sputnik Brasil