CEO da Anthropic irrita Pentágono, enquanto OpenAI busca acordo para uso de IA militar
Divergências sobre uso de inteligência artificial em ambientes militares acirram disputa entre empresas de tecnologia e Departamento de Defesa dos EUA.
Um oficial de defesa dos Estados Unidos relatou que o chefe de tecnologia do Pentágono comparou o debate com a Anthropic a um "cenário nuclear de vida ou morte" durante uma reunião realizada no mês passado, segundo informações publicadas pelo jornal The Washington Post nesta sexta-feira, 27.
De acordo com as informações, a resposta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, teria "irritado" o Pentágono. O oficial descreveu a réplica do executivo como: "Vocês podem nos ligar e nós resolvemos isso". No entanto, um porta-voz da Anthropic negou que Amodei tenha dado essa resposta, classificando o relato como "patentemente falso".
Nesta quinta-feira, 26, Amodei afirmou publicamente que discorda das exigências do Departamento de Defesa dos EUA e que eventuais ameaças do governo não mudariam sua posição, em meio à nova disputa entre as partes. O secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, estabeleceu prazo até sexta-feira para que a empresa avaliasse a proposta final sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas Forças Armadas dos EUA.
Segundo o The Wall Street Journal, o CEO da OpenAI, Sam Altman, informou aos funcionários na noite de ontem que a empresa está negociando com o Departamento de Defesa para avaliar se seus modelos de IA podem ser utilizados em ambientes confidenciais, mantendo as mesmas salvaguardas que levaram a Anthropic ao impasse. Conforme as fontes, nenhum acordo foi formalizado e as negociações ainda podem fracassar.
"Vamos ver se existe um acordo com o Departamento de Guerra que permita a implantação de nossos modelos em ambientes confidenciais e que esteja de acordo com nossos princípios", escreveu Altman em comunicado obtido pelo WSJ. "Solicitamos que o contrato cubra qualquer uso, exceto aqueles que sejam ilegais ou inadequados para implantações em nuvem, como vigilância doméstica e armas ofensivas autônomas".