TENSÃO ENTRE TECNOLOGIA E DEFESA

CEO da Anthropic irrita Pentágono e OpenAI busca acordo para uso de IA militar

Divergências sobre o uso de inteligência artificial em ambientes militares geram impasse entre empresas de tecnologia e Departamento de Defesa dos EUA.

Publicado em 27/02/2026 às 15:27
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Um oficial de defesa dos Estados Unidos relatou que o chefe de tecnologia do Pentágono tratou como "um cenário nuclear de vida ou morte" o debate com a Anthropic sobre um ataque nuclear hipotético contra o país durante uma reunião ocorrida no mês passado, segundo informações publicadas pelo jornal The Washington Post nesta sexta-feira, 27.

Segundo o oficial, a resposta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, teria "irritado" o Pentágono ao dizer: "Vocês podem nos ligar e nós resolvemos isso". Um porta-voz da Anthropic, porém, negou que Amodei tenha feito tal afirmação, classificando o relato como "patentemente falso".

Nesta quinta-feira, 26, Amodei declarou que não concorda com as exigências do Departamento de Defesa dos EUA e afirmou que eventuais ameaças do governo não mudariam sua posição, intensificando o impasse entre as partes. O secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, estabeleceu prazo até sexta-feira para que a empresa avaliasse a proposta final sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas Forças Armadas.

De acordo com o The Wall Street Journal, o CEO da OpenAI, Sam Altman, comunicou aos funcionários que a empresa está negociando com o Departamento de Defesa para avaliar se seus modelos de IA podem ser utilizados em ambientes confidenciais, mantendo os mesmos padrões de segurança que levaram a Anthropic ao impasse. Fontes afirmam que nenhum acordo foi firmado até o momento e que as negociações podem não avançar.

"Vamos ver se existe um acordo com o Departamento de Guerra que permita a implantação de nossos modelos em ambientes confidenciais e que esteja de acordo com nossos princípios", escreveu Altman em comunicado obtido pelo WSJ. "Solicitamos que o contrato cubra qualquer uso, exceto aqueles que sejam ilegais ou inadequados para implantações em nuvem, como vigilância doméstica e armas ofensivas autônomas".