TENSÃO INTERNACIONAL

China rejeita demanda dos EUA por negociações nucleares: 'injusta, irracional e inviável'

Governo chinês descarta participação em acordo trilateral com EUA e Rússia sobre armas nucleares e critica proposta como desigual.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 27/02/2026 às 15:25
Porta-voz chinesa Mao Ning rejeita proposta dos EUA para negociações nucleares trilaterais com Rússia. © AP Photo / Tan Jin

O governo chinês reagiu nesta sexta-feira (27) à declaração do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que qualquer acordo sobre limitação de armas nucleares deve envolver Estados Unidos, China e Rússia.

"As forças nucleares da China estão em um nível completamente diferente em comparação com as dos Estados Unidos e da Rússia. Exigir que a China participe das chamadas negociações trilaterais sobre desarmamento nuclear entre China, Estados Unidos e Rússia neste estágio é injusto, irracional e inviável", afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Com o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START) expirado em 5 de fevereiro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que Moscou agora considera todas as partes liberadas de suas obrigações, incluindo compromissos recíprocos.

O presidente russo, Vladimir Putin, propôs em setembro que os países mantivessem os limites do Novo START por um ano após a expiração do tratado, desde que os Estados Unidos adotassem a mesma postura.

Quanto à participação da China, Moscou já declarou que respeita qualquer decisão do governo chinês. Ao mesmo tempo, a Rússia ressaltou que, se o escopo do tratado for ampliado, deverá incluir também os aliados dos EUA na OTAN que possuem armas nucleares, como Reino Unido e França, cujos arsenais não são considerados em nenhum acordo de estabilidade estratégica.

Assinado em 2010, o Novo START limitava o número de ogivas nucleares e vetores estratégicos de Rússia e EUA. Com a expiração do tratado, não há mais mecanismos formais de verificação ou contenção mútua, o que eleva o risco de escalada militar entre as potências.