Paquistão afirma que ataques no Afeganistão deixaram quase 300 mortos
Governo afegão contesta números e acusa Paquistão de inflar dados sobre mortos e feridos em bombardeios na fronteira
O Paquistão afirmou que ataques realizados na madrugada desta sexta-feira, 27, contra cidades do Afeganistão, provocaram pelo menos 274 mortes e deixaram mais de 400 pessoas feridas.
As informações foram divulgadas pelo porta-voz do Exército do Paquistão, tenente-general Ahmed Sharif Chaudhry. Segundo ele, as vítimas seriam integrantes das forças de segurança afegãs ou militantes associados.
Chaudhry acrescentou que 12 militares paquistaneses morreram, 27 ficaram feridos e um permanece desaparecido.
Os números, no entanto, foram contestados pelo governo afegão. O porta-voz do Taleban, Zabiullah Mujahid, classificou os dados paquistaneses como "falsos". De acordo com Mujahid, 13 soldados afegãos morreram, 22 ficaram feridos e outros 13 civis também sofreram ferimentos.
Mujahid afirmou ainda que 55 militares paquistaneses foram mortos e que os corpos de 23 deles foram levados para o Afeganistão. Segundo ele, "muitos" soldados paquistaneses teriam sido capturados.
A tensão entre os países vinha crescendo há meses, mas se agravou na noite de quinta-feira, 26, quando o Afeganistão lançou um ataque na fronteira contra o Paquistão, alegando retaliação a uma ofensiva paquistanesa realizada no domingo, 22, que teria deixado ao menos 70 mortos.
"Atacamos importantes alvos militares no Paquistão, enviando uma mensagem de que nossas mãos podem alcançar suas gargantas e que responderemos a cada ato maligno do Paquistão", declarou Mujahid. "O Paquistão nunca buscou resolver problemas por meio do diálogo."
Após os ataques afegãos, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Mohammad Asif, afirmou em postagem na rede X que "a paciência se esgotou" e declarou: "Agora é guerra aberta entre nós."
Na madrugada desta sexta-feira, 27, o Paquistão respondeu com uma nova ofensiva contra Cabul e outras duas províncias, incluindo Kandahar, considerada o berço do Taleban e residência do líder supremo do grupo, Sheikh Haibatullah Akhundzada. Segundo o governo paquistanês, os alvos eram instalações militares.
De acordo com Mujahid, uma escola religiosa na província de Paktika foi bombardeada na manhã desta sexta-feira. Até o momento, não havia informações sobre possíveis vítimas no local.