IA melhora a aprendizagem quando atua como tutora, não como atalho, aponta estudo da Brookings
Relatório internacional indica que o uso educacional da IA é mais eficaz quando orienta o raciocínio do aluno e reforça a mediação pedagógica
A inteligência artificial pode contribuir de forma concreta para a aprendizagem dos estudantes quando é utilizada como ferramenta de tutoria e apoio ao desenvolvimento cognitivo , e não apenas como fornecedora de respostas prontas. Essa é uma das principais conclusões do relatório A New Direction for Students in an AI World, publicado pela Brookings Institution, um dos centros de pesquisa mais influentes do mundo em políticas públicas e educação.
O estudo analisa pesquisas recentes sobre o uso de IA generativa em contextos educacionais e propõe um novo direcionamento para escolas, plataformas e formuladores de políticas, baseado em três pilares: preparar os estudantes para um mundo com IA, protegê-los de usos que comprometam a aprendizagem e prosperar com modelos que ampliem suas capacidades cognitivas ao longo do tempo.
Segundo a Brookings, abordagens em que a IA atua como tutora, guiando o raciocínio, oferecendo feedback progressivo e estimulando a reflexão, apresentam resultados mais consistentes do que aquelas baseadas apenas na entrega automática de respostas. Em vez de substituir o esforço intelectual do aluno, essas soluções funcionam como apoio estruturado ao processo de aprendizagem.
O relatório destaca que sistemas bem desenhados ajudam os estudantes a compreender erros, construir argumentos e avançar passo a passo em problemas complexos, especialmente quando combinados com acompanhamento humano. Já o uso da IA como atalho para a resolução de tarefas tende a gerar ganhos imediatos de desempenho, mas com impacto limitado na aprendizagem sustentada.
Para os pesquisadores da Brookings, o desafio central não está na presença da tecnologia em si, mas no design pedagógico que orienta seu uso. A recomendação é que a IA seja integrada como parte de uma arquitetura educacional que preserve a autonomia do estudante, fortaleça habilidades cognitivas e mantenha a mediação humana como elemento estruturante.
Esse modelo híbrido já é adotado por plataformas de reforço escolar que utilizam a tecnologia como suporte à tutoria personalizada. No Brasil, o TutorMundi integra inteligência artificial para organizar atendimentos, identificar padrões de dúvidas e apoiar o acompanhamento pedagógico, mantendo o tutor humano como peça central do processo. As aulas particulares são realizadas integralmente com tutores, enquanto recursos digitais conduzem o aluno ao raciocínio e facilitam o acesso imediato ao apoio humano sempre que necessário.
“A IA pode ampliar a capacidade de escalar o suporte educacional, mas o aprendizado acontece quando há mediação, diálogo e acompanhamento. A tecnologia organiza e orienta, enquanto o tutor atua onde o raciocínio e a interpretação são essenciais”, afirma Rapha Coe, CEO do TutorMundi. A plataforma já ultrapassou a marca de um milhão de atendimentos nesse modelo de tutoria apoiada por tecnologia.
O relatório da Brookings conclui que o futuro da educação em um mundo cada vez mais orientado por inteligência artificial dependerá menos da adoção acelerada de ferramentas e mais da capacidade de desenhar experiências de aprendizagem que usem a tecnologia para fortalecer, e não encurtar, o caminho do pensamento.