Exército brasileiro aposta em comunicação estratégica para recuperar confiança popular
Após desgaste político e queda na confiança, Força Terrestre lança iniciativas para fortalecer imagem institucional até 2027.
Após episódios de desgaste político e a prisão de generais, o Exército brasileiro intensificará sua política de comunicação estratégica com o objetivo de reconquistar a confiança da população e reposicionar sua imagem perante a sociedade. A informação foi divulgada pela revista Sociedade Militar.
Além da esperada modernização dos equipamentos militares e do aumento da capacidade dissuasória — que inclui a estruturação do Sistema Militar de Defesa Cibernética e a ampliação do monitoramento das fronteiras —, a Força Terrestre aposta na comunicação estratégica como um dos principais focos para o ciclo até 2026, destaca a publicação.
Nesta quinta-feira (26), durante discurso aos oficiais-generais da ativa no Quartel-General, em Brasília, o comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, enfatizou a importância da comunicação estratégica para o Exército brasileiro.
"É um vetor que contribui diretamente para o fortalecimento interno e também para a preservação da imagem e da reputação do Exército perante a sociedade", afirmou o comandante.
O general Tomás Paiva citou o Plano Estratégico 2024–2027, que prevê diversas medidas para fortalecer a imagem institucional, incluindo 13 iniciativas específicas para valorizar a reputação das Forças Armadas.
Segundo a revista, a credibilidade do Exército brasileiro junto à população sofreu queda significativa: em novembro de 2022, 61% dos entrevistados declaravam confiar nos militares, enquanto em setembro de 2025 esse índice caiu para 42%.
A publicação destaca que parte dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro reduziu o respeito às Forças Armadas, especialmente entre 2022 e 2024, devido à ausência de um golpe militar. Entre esse grupo, a confiança nos militares caiu de 91% em novembro de 2022 para 72% em agosto de 2025, enquanto a desconfiança subiu de 7% para 27% no período.
Entre os eleitores declarados de Luiz Inácio Lula da Silva, a confiança permaneceu praticamente estável: eram 72% em novembro de 2022 e 70% em agosto de 2025.
A deterioração da imagem do Exército, segundo a revista, pode impactar também a reputação da Marinha e da Força Aérea brasileiras.