Ibovespa recua após IPCA-15 acima do esperado e queda em NY
Índice é pressionado por inflação maior, desvalorização em Nova York e minério de ferro; petróleo limita perdas.
A queda dos índices futuros em Nova York e do minério de ferro, aliada ao IPCA-15 acima das expectativas, pressiona o Ibovespa para baixo nesta sexta-feira, última sessão de fevereiro. O desempenho negativo no exterior e a surpresa inflacionária elevam os juros futuros e o dólar, penalizando ações mais sensíveis ao ciclo econômico. Apesar disso, a alta de cerca de 3,5% do petróleo no mercado internacional ajuda a limitar as perdas do principal índice da B3.
Mesmo com o recuo de hoje, o Ibovespa caminha para encerrar fevereiro com valorização próxima de 4,7%, em contraste com a queda de 2,64% registrada no mesmo mês de 2025, influenciada por fatores geopolíticos e incertezas no Congresso Nacional.
O IPCA-15, divulgado pelo IBGE, subiu 0,84% em fevereiro após avanço de 0,20% em janeiro. Com isso, o índice acumula alta de 1,04% no ano e de 4,10% em 12 meses, ambos acima do teto das projeções, que eram de 0,69% e 3,95%, respectivamente. O resultado surpreendente lança dúvidas sobre o ritmo e o tamanho dos próximos cortes da Selic, previstos para começar em março, e sobre a intensidade da redução ao longo do ciclo. Por outro lado, uma Selic ainda elevada pode seguir atraindo capital estrangeiro para a B3, devido ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.
João Oliveira, head da mesa de operações do Moneycorp, avalia que a alta do IPCA-15 "assusta um pouco" e pode mudar as apostas para o ciclo de cortes da Selic. "Pode jogar um pouco de água no chope das expectativas para o juro básico", comenta. Apesar disso, ele acredita que o efeito do dado inflacionário deve ser pontual sobre os ativos, especialmente no Ibovespa, e ainda vê espaço para entrada de investidores estrangeiros.
No noticiário corporativo, o Bradesco se destaca ao anunciar a criação da Bradsaúde, resultado da consolidação dos negócios de saúde do grupo na Odontoprev, onde deterá 91,35% de participação. A nova empresa nasce com receita de R$ 52 bilhões, mais de 13 milhões de beneficiários, cerca de 3.600 leitos hospitalares e 35 clínicas.
A Vale também está no foco dos investidores, já que a Justiça de Minas Gerais ouve nesta sexta-feira três testemunhas sobre o rompimento da barragem em Brumadinho, tragédia que deixou 272 mortos em 2019.
No exterior, as bolsas apresentam movimentos mistos: leve alta na maioria dos mercados europeus e queda em Nova York, mesmo após o salto das ações da Netflix. Investidores monitoram os gastos com inteligência artificial e aguardam a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) nos Estados Unidos.
Na quinta-feira, o Ibovespa encerrou em baixa de 0,13%, aos 191.005,02 pontos, acumulando alta semanal de 0,25% e de 5,32% no mês. Com o recuo desta sexta, o índice cai 0,33% na semana, mas ainda sobe 4,71% em fevereiro.
Às 11h26, o Ibovespa recuava 0,57%, aos 189.835,92 pontos, após atingir mínima de 189.463,18 pontos e máxima de 191.005,02 pontos. As ações da Vale registravam leve queda de 0,01%, apesar da alta de 0,27% do minério de ferro em Dalian, na China. O Bradesco subia cerca de 3%, enquanto outros bancos recuavam.