EUA e Irã avançam em negociação e marcam novo diálogo para próxima semana
Após horas de conversas indiretas sobre o programa nuclear, países mantêm impasse, mas agendam nova rodada em Viena.
Estados Unidos e Irã realizaram, nesta quinta-feira (26), longas negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano, sem chegar a um acordo definitivo. Paralelamente, Washington aumentou a pressão ao apresentar novas exigências e enviar reforços militares à região, elevando a tensão e o risco de um novo conflito no Oriente Médio.
O chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, mediador das conversas em Genebra, informou que houve "progressos significativos na negociação", mas não detalhou os avanços. Segundo ele, as negociações serão retomadas em Viena, na próxima semana, com a participação de equipes técnicas.
De acordo com o Wall Street Journal, autoridades americanas presentes, incluindo Steve Witkoff e Jared Kushner, exigiram que o Irã desative as três principais instalações nucleares — Fordow, Natanz e Isfahan —, além de entregar todo o urânio enriquecido aos EUA. Os americanos também defenderam que qualquer novo acordo nuclear seja permanente, diferente do pacto firmado durante o governo Obama, que previa prazos para restrições. O ex-presidente Donald Trump retirou os EUA desse acordo, o Plano de Ação Conjunto Global, e restabeleceu sanções contra o Irã.
Reação iraniana
O Irã rejeitou a possibilidade de transferir seus estoques de urânio para o exterior e se opôs ao desmantelamento de suas instalações nucleares, bem como à imposição de restrições permanentes ao seu programa. Fontes próximas às negociações afirmam que Teerã também não aceita discutir seu apoio a grupos armados aliados, como Hamas e Hezbollah.
Enquanto enfrenta protestos internos, o presidente dos EUA vê uma oportunidade para avançar nos objetivos americanos. Já o Irã busca evitar uma guerra, mas resiste a abrir mão de seus interesses estratégicos.
Conflito recente
Em junho, durante negociações, Israel lançou um ataque-surpresa contra o Irã, dando início a uma guerra de 12 dias. O conflito culminou com o lançamento, pelos EUA, de bombas antibunker nas principais instalações nucleares iranianas, causando danos expressivos e interrompendo temporariamente o programa nuclear. Segundo autoridades americanas, parte do estoque de urânio pode estar sob os escombros de uma das instalações atacadas.
Com agências internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.