DIs recuam à espera do IPCA-15 e após leilão robusto do Tesouro
Juros futuros atingem mínimas com influência da curva dos Treasuries e expectativa por novos indicadores econômicos.
Os juros futuros renovaram mínimas e passaram a recuar na tarde desta quinta-feira, 26, impulsionados pelo fechamento da curva dos Treasuries e pela expectativa em torno do IPCA-15, que será divulgado nesta sexta-feira, 27. O movimento ocorre após o alívio da pressão trazido pelo leilão robusto de prefixados realizado pelo Tesouro Nacional. O IGP-M de fevereiro, que apresentou queda mais intensa do que o previsto, também contribuiu para suavizar o impacto da valorização global do dólar, enquanto o mercado aguarda ainda a divulgação dos dados do Caged e do PIB na próxima terça-feira.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu para 13,175%, ante 13,23% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 recuou para 12,535%, frente a 12,578%. Já o DI com vencimento em janeiro de 2031 passou de 12,987% para 12,945%.
O destaque do dia na renda fixa foi o leilão de prefixados do Tesouro pela manhã, que vendeu o lote integral de 20 milhões de LTN e 8,5 milhões de NTN-F, superando a oferta de 9 milhões. Segundo a Warren Investimentos, o risco de mercado em DV01 foi 27% maior do que no leilão anterior, enquanto o volume financeiro ficou 24% acima do registrado na semana passada.
Para Gustavo Okuyama, head de renda fixa da Porto Asset, o leilão foi relevante e pressionou as taxas ao longo do dia, mantendo a curva próxima aos ajustes da véspera durante a manhã, mesmo com a queda nos rendimentos dos Treasuries.
León Santiago Lucas, head de renda fixa da Ville Capital, destaca que o leilão apresentou demanda forte, apesar dos lotes ofertados estarem dentro dos patamares normais. "Na ausência de notícias relevantes à tarde, a resistência das taxas perdeu força", comenta.
Com isso, os contratos de DIs passaram a recuar, acompanhando também a diminuição da valorização do dólar frente ao real, que encerrou o dia cotado a R$ 5,13. As mínimas da sessão foram registradas na última hora de pregão, coincidindo com a intensificação da queda dos rendimentos dos Treasuries.
O economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, avalia que o movimento pode estar relacionado a "apostas de última hora" para o IPCA-15, cuja expectativa é de aceleração para 0,56% em fevereiro, ante 0,20% em janeiro, segundo pesquisa Projeções Broadcast. As estimativas variam de 0,39% a 0,69%.
Com o dólar a R$ 5,13 e a atividade econômica desacelerando conforme o esperado, o mercado começa a considerar a possibilidade de que o Caged de janeiro, a ser divulgado na próxima terça-feira, aponte criação de empregos abaixo do previsto, conforme destaca Okuyama, da Porto Asset.
Para Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, a combinação do IGP-M em deflação consistente, divulgada nesta quinta-feira, com a perspectiva de PIB fraco na próxima semana também contribuiu para o recuo dos juros neste pregão.