MERCADO FINANCEIRO

Dólar avança levemente com cenário externo instável, mas permanece abaixo de R$ 5,15

Após sequência de quedas, moeda americana reage a aversão global ao risco e movimentos de divisas emergentes.

Publicado em 26/02/2026 às 18:44
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Após cinco sessões consecutivas de queda, que resultaram em uma desvalorização acumulada de 2,20%, o dólar registrou leve alta frente ao real nesta quinta-feira, 26. Operadores atribuem o movimento à aversão ao risco no exterior e ao recuo das moedas de países emergentes, especialmente as latino-americanas, o que abriu espaço para ajustes no mercado de câmbio doméstico.

O ambiente de cautela foi intensificado pelas notícias sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã a respeito do programa nuclear iraniano. Em Nova York, o índice Nasdaq caiu mais de 1%, refletindo preocupações com o avanço da inteligência artificial (IA) e seus impactos econômicos, mesmo após resultados positivos da Nvidia no quarto trimestre.

Durante a tarde, o dólar à vista atingiu a máxima de R$ 5,1655, em meio ao aumento do estresse nos mercados internacionais, e fechou em alta de 0,27%, cotado a R$ 5,1389. Na semana, a moeda acumula queda de 0,71%, levando a desvalorização em fevereiro a 2,07%, após recuo de 4,40% em janeiro. No acumulado do ano, o dólar já registra queda de 6,38%.

O real apresentou desempenho melhor do que o de outras moedas latino-americanas. O peso colombiano, por exemplo, recuou quase 2% após pesquisa eleitoral indicar liderança do candidato de esquerda nas intenções de voto para a eleição presidencial de maio.

Para Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, a trajetória do câmbio segue fortemente influenciada pelo cenário internacional, que tende a ser favorável para moedas emergentes. Ele destaca ainda a sazonalidade positiva do fluxo cambial no início do ano e a elevada taxa de juros doméstica como fatores de suporte ao real.

"Hoje, vimos uma correção no câmbio após a forte valorização do real nos últimos dias", afirma Lima. Segundo ele, há possibilidade de o dólar testar o patamar de R$ 5,00 no curto prazo, caso se mantenha o movimento global de rotação de carteiras e uma nova alta das commodities.

O economista acrescenta que fatores domésticos ainda têm impacto limitado sobre a formação da taxa de câmbio, com sinais incipientes de influência das expectativas eleitorais. "Houve alguma reação após pesquisas recentes, mas o cenário global ainda é determinante para o real", avalia.

Nesta quarta-feira, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulação de segundo turno. Analistas destacaram o aumento da desaprovação ao governo Lula, o que pode indicar desafios eleitorais ao petista.

No exterior, o índice DXY — referência do comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — operou em leve alta, aproximando-se dos 98 pontos na máxima do dia, a 97,984. O yuan se fortaleceu e atingiu o maior nível frente ao dólar desde março de 2023 nos mercados onshore e offshore.

Investidores aguardam, para esta sexta-feira, a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA referente a janeiro, que deve influenciar as apostas sobre o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses. O consenso do mercado aponta para uma redução da taxa básica americana em julho.

Na contramão de recentes declarações de dirigentes do Banco Central dos EUA, o diretor do Fed Stephen Miran, indicado pelo ex-presidente Donald Trump, afirmou não enxergar problemas do lado da inflação, considerando a inteligência artificial uma "fonte profundamente desinflacionária". Miran reiterou que seria adequado realizar quatro cortes de juros neste ano, totalizando uma redução de 100 pontos-base.