MERCADO GLOBAL

Tensão entre EUA e Irã acende alerta nos mercados e eleva risco de impacto global, diz mídia

Escalada entre Washington e Teerã pressiona dólar, petróleo e bolsas; analistas descartam guerra longa, mas temem efeitos indiretos.

Por Sputinik Brasil Publicado em 26/02/2026 às 09:30
Mercados globais reagem à escalada de tensão entre EUA e Irã, com impacto no dólar e petróleo. © AP Photo / Marinha dos EUA/Information Technician Second Class Ruskin Naval

A recente escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã já provoca preocupação nos mercados financeiros internacionais. Investidores avaliam a possibilidade de uma intervenção militar americana, cenário que tende a fortalecer o dólar, elevar o preço do petróleo e pressionar bolsas globais, ainda que especialistas considerem improvável uma guerra prolongada.

De acordo com especialistas ouvidos pelo G1, o risco de conflito já se reflete nos mercados. Nas últimas semanas, o governo de Donald Trump intensificou ameaças, reforçou a presença militar norte-americana no Oriente Médio e sinalizou disposição para um ataque, caso julgue necessário. O objetivo é pressionar Teerã a aceitar limites ao programa nuclear e ao desenvolvimento de mísseis, em troca do alívio das sanções econômicas.

O Irã, por sua vez, promete uma resposta "feroz" a qualquer ofensiva, elevando o risco de escalada. Esse ambiente de incerteza já mobiliza agentes financeiros, que avaliam impactos potenciais sobre moedas, petróleo e bolsas globais.

Em momentos de tensão geopolítica, investidores tendem a buscar ativos mais seguros, fortalecendo o dólar como porto seguro. Esse movimento, conhecido como flight to quality (busca por segurança), ocorre quando investidores migram de ações e ativos arriscados para moedas fortes.

Ainda que remota, a possibilidade de bloqueio do estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — também pode impulsionar o dólar, já que qualquer ameaça ao fluxo energético global aumenta a aversão ao risco.

O petróleo é outro ponto sensível. Um ataque ao Irã ou qualquer interrupção no estreito de Ormuz pode elevar significativamente os preços do barril. Como grande produtor e membro da OPEP, o Irã tem papel relevante na oferta global.

Danos a instalações de produção ou bloqueios marítimos poderiam reduzir a oferta e pressionar os preços para a faixa dos US$ 80 (R$ 409,99), acima dos cerca de US$ 70 (R$ 358,71) atuais.

Analistas alertam que um conflito prolongado poderia gerar efeitos indiretos, como inflação global mais alta e aumento das taxas de juros, dependendo da intensidade e duração da crise. Ainda assim, o mercado não espera uma guerra extensa, em parte porque o Irã já enfrenta fortes sanções e porque há excesso de oferta de petróleo no momento, o que limita altas mais bruscas.

As bolsas de valores também tendem a reagir negativamente. Em cenários de risco geopolítico, investidores reduzem a exposição a ativos arriscados, especialmente em países emergentes. A combinação de dólar forte, petróleo caro e juros mais altos costuma pressionar ações e provocar quedas generalizadas nos mercados.

A depender da duração e do alcance de um eventual conflito, setores específicos — como petróleo e gás — podem sofrer revisões nas projeções de lucro, enquanto oscilações mais intensas podem surgir caso haja ataques a refinarias, oleodutos ou outras estruturas estratégicas. O impacto final dependerá da rapidez com que a crise evoluir ou se dissipar.