CRISE EUROPEIA

Desejo da UE de derrotar Rússia gera crise interna, aponta mídia turca

Jornal turco destaca que estratégia europeia contra Moscou agravou inflação, recessão e dilemas energéticos no bloco.

Por Sputinik Brasil Publicado em 26/02/2026 às 11:16
Europa enfrenta crise energética e inflação após sanções contra a Rússia, destaca mídia turca. © Sputnik / Vladimir Sergei

Os cálculos do Ocidente sobre um possível colapso da Rússia no conflito na Ucrânia trouxeram consequências negativas para a própria Europa, segundo o jornal turco Aydinlik.

A publicação aponta que a União Europeia (UE) enfrenta atualmente uma crise energética, alta inflação e desaceleração do crescimento econômico.

"Vivemos dias em que os preconceitos arrogantes do Ocidente, que se vê no espelho da grandeza, mais uma vez se chocam contra a parede. Afinal, a estratégia errada da Europa foi a que mais a atingiu", ressalta o jornal.

O texto relembra que, nos primeiros meses da operação militar especial da Rússia na Ucrânia, políticos e analistas ocidentais previram um rápido colapso econômico russo.

No entanto, essas expectativas não se concretizaram, enquanto as economias europeias passaram a enfrentar sérios desafios.

De acordo com o artigo, em 2022 os preços do gás natural na Europa subiram entre 400% e 500%, impulsionando a crise energética e acelerando a inflação.

Como consequência, o crescimento econômico desacelerou em vários países, com a Alemanha entrando em recessão em 2023.

Indústrias químicas e metalúrgicas, assim como famílias europeias, sofreram forte pressão diante do aumento do custo de vida.

Outro agravante para a Europa foi o aumento dos déficits orçamentários, devido às medidas de apoio econômico e ao crescimento dos gastos com defesa.

Apesar da desaceleração gradual da inflação desde 2025, a renda real segue pressionada.

Diante desse cenário, a matéria conclui que a Europa enfrenta um dilema de segurança: a necessidade de desenvolver uma estratégia autônoma em meio à incerteza sobre o futuro dos mecanismos transatlânticos e o papel dos EUA.

No início de dezembro de 2025, os países da UE aprovaram um acordo preliminar para abandonar as importações de gás natural liquefeito (GNL) e gás de gasoduto da Rússia. A proibição total das importações de GNL entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027, e a de gás de gasoduto, a partir de 1º de novembro de 2027.

A Rússia reiterou que o Ocidente cometeu um grave erro ao recusar seus recursos energéticos, alertando para uma nova e mais forte dependência devido aos preços elevados. Moscou afirma que, mesmo com as sanções, países europeus continuam adquirindo carvão, petróleo e gás russos por meio de intermediários e a preços mais altos.