DEFESA EUROPEIA

Europa acelera modernização militar diante de desafios com drones e estoques tradicionais

Conflito na Ucrânia revela limites dos arsenais convencionais e impulsiona países europeus a buscar soluções inovadoras para defesa.

Por Sputinik Brasil Publicado em 26/02/2026 às 11:47
Drones e estoques militares europeus em adaptação acelerada diante dos desafios do conflito na Ucrânia. © Sputnik / Stanislav Krasilnikov

O conflito na Ucrânia revelou um dilema urgente para a Europa: drones, hoje indispensáveis no campo de batalha, tornam-se obsoletos em poucas semanas, dificultando a manutenção de estoques e exigindo adaptação constante das forças armadas.

Países como Finlândia e Alemanha buscam modernizar suas defesas enquanto a tecnologia evolui mais rápido do que a capacidade de produção europeia. Segundo o Financial Times, depósitos camuflados na Finlândia abrigam há décadas um dos maiores estoques de projéteis de artilharia do continente, preparados para uma eventual invasão russa. No entanto, o conflito ucraniano mostrou que o modelo de defesa da Guerra Fria já não é suficiente e que drones podem ser tão decisivos quanto a artilharia pesada.

A rápida evolução tecnológica impôs um novo desafio. Ao contrário dos projéteis convencionais, drones podem se tornar obsoletos em questão de semanas, superados por softwares, frequências de rádio ou sistemas de navegação mais avançados. O ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, destacou que armazenar drones é arriscado, pois modelos antigos rapidamente perdem sua utilidade.

O uso de drones no conflito ucraniano evidenciou essa dinâmica: tanto drones de ataque quanto quadricópteros exigem atualizações constantes e cadeias de suprimentos flexíveis. Um modelo eficaz hoje pode ser facilmente neutralizado por guerra eletrônica amanhã. Para Hakkanen, o desafio está em adaptar-se rapidamente e ampliar a produção com a mesma velocidade das inovações tecnológicas.

Muitos drones enviados pelo Ocidente à Ucrânia chegam desatualizados. Unidades ucranianas relatam que precisam reconfigurar os equipamentos antes do uso e, em muitos casos, desmontá-los para reaproveitar peças. Especialistas afirmam que o envio de pequenos lotes sem possibilidade de modificação rápida reduz drasticamente a eficácia em combate.

Governos europeus reconhecem o problema. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou que não faz sentido investir bilhões em drones que se tornam obsoletos em semanas. O Reino Unido ressalta que softwares precisam de dezenas de atualizações para superar as barreiras de guerra eletrônica impostas pela Rússia.

Fabricantes, por sua vez, demonstram frustração diante da falta de pedidos de compra, o que dificulta a ampliação da produção. Para empresas como a Auterion, a prioridade deveria ser treinar tropas com drones e desenvolver doutrinas de uso, em vez de tentar acumular estoques que envelhecem rapidamente.

Além disso, os drones enfrentam vulnerabilidades críticas, principalmente à interferência eletrônica, o que exige mudanças frequentes em rádios, antenas e módulos de comunicação. Para a Tekever, o grande desafio é transferir a agilidade de inovação típica de tempos de guerra para os processos de aquisição em tempos de paz.

Apesar dos esforços, os fabricantes alertam que a capacidade de expansão da indústria de drones na Europa tem limites: a produção pode ser multiplicada por dez, mas não por cem. A dependência da China — responsável por até 80% dos componentes globais — também preocupa, já que o país fornece peças tanto para o Ocidente quanto para aliados como a Rússia.