MACEIÓ

Saúde de Maceió participa de treinamento para fortalecer vigilância entomológica do Aedes aegypti

Capacitação realizada no ICBS/Ufal reuniu especialistas, atividades práticas e estratégias inovadoras para intensificar o combate às arboviroses em Alagoas

Publicado em 26/02/2026 às 12:26
Maceió reforça o combate ao Aedes com a implementação de ovitrampas e novas tecnologias de vigilância. Ascom SMS

A Secretaria Municipal de Saúde(SMS) participou, nos dias 24 e 25, do Treinamento para Implementação da Estratégia de Vigilância Entomológica do Aedes aegypti por Ovitrampas, realizado no Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde(ICBS) da Universidade Federal de Alagoas(Ufal), na Cidade Universitária. A iniciativa integrou as ações de fortalecimento da Diretoria de Vigilância em Saúde e teve como objetivo aprimorar as estratégias de enfrentamento ao Aedes aegypti e ao Aedes albopictus.

A programação foi dividida em dois dias de atividades teóricas e práticas. No primeiro dia, os participantes passaram pelo credenciamento e acompanharam a abertura oficial com representantes da Secretaria de Estado da Saúde(Sesau-AL), Ufal, Ministério da Saúde e IOC/Fiocruz. Em seguida, foram apresentados o panorama das arboviroses em Alagoas e a estratégia nacional de fortalecimento das ações de vigilância entomológica no território brasileiro.

O veterinário e gerente, Charles Nunes, da Gerência de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores e Animais Peçonhentos, destacou como o treinamento foi direcionado. 

“Esse treinamento é direcionado para três tipos de profissão: Vigilância Epidemiológica, Controle do Vetorial e Vigilância Entomológica. O Ministério da Saúde tinha publicado as diretrizes nacionais de prevenção e controle de epidemias de dengue em 2009, o último manual. Mas no ano passado, em 2025, eles publicaram novas diretrizes para enfrentamento de epidemias de arboviroses como dengue, zika e  chikungunya. Então, para poder divulgar a nova metodologia de trabalho, o Ministério da Saúde está realizando essas oficinas em todo o Brasil”, relatou o gerente. 

No primeiro dia de programação, especialistas detalharam a implementação da metodologia de monitoramento por armadilhas de oviposição(ovitrampas), esclarecendo aspectos técnicos sobre instalação, funcionamento e importância do monitoramento sistemático. Também houve espaço para debates e esclarecimento de dúvidas, além da apresentação de aplicativo específico para lançamento e acompanhamento dos dados coletados pelos municípios. A tarde foi dedicada às orientações práticas sobre preparo de materiais e planejamento da implantação das ovitrampas nos territórios.

No segundo dia, as atividades ocorreram de forma simultânea, com divisão em turmas. Os participantes realizaram treinamento para utilização do aplicativo de registro de dados, capacitação para leitura de palhetas e contagem de ovos, além de treinamento de campo para instalação e manutenção das ovitrampas, incluindo o correto preenchimento de formulários.

A programação também contemplou a apresentação de novas tecnologias de controle vetorial, como a implementação das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), a estratégia de borrifação residual intradomiciliar em imóveis especiais e uma aula prática sobre o painel BR-Aedes. O encerramento foi marcado por discussões técnicas, alinhamentos e avaliação das estratégias apresentadas.

Além da capital, participaram do treinamento municípios prioritários com mais de 50 mil habitantes, todos representados por profissionais das áreas de Vigilância Epidemiológica, Controle Vetorial e Vigilância Entomológica. Com a capacitação, as novas estratégias apresentadas durante a oficina começarão a ser implementadas a partir de março. A iniciativa fortaleceu a capacidade técnica dos municípios, contribuindo para um monitoramento mais preciso da infestação do vetor e subsidiando ações mais eficazes de prevenção e controle das arboviroses.

Sobre as novas tecnologias 

Ovitrampas são armadilhas utilizadas para o monitoramento da presença e da densidade do Aedes aegypti e do Aedes albopictus em determinada área. Elas consistem, geralmente, em recipientes escuros com água e uma palheta de madeira ou material semelhante, que serve de superfície para a postura dos ovos pelas fêmeas do mosquito. Após um período determinado, essas palhetas são recolhidas e encaminhadas para leitura, onde é realizada a contagem dos ovos.

O objetivo das ovitrampas não é eliminar o mosquito, mas monitorar a infestação de forma sensível e precoce, permitindo identificar áreas com maior circulação do vetor antes mesmo do aumento de casos de arboviroses. 

Já as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) são uma estratégia complementar de controle do Aedes aegypti que utiliza o próprio mosquito como agente disseminador do larvicida. A tecnologia funciona da seguinte forma: a estação é instalada em pontos estratégicos e atrai a fêmea do mosquito. Ao entrar em contato com o dispositivo, ela se contamina com pequenas partículas de larvicida(em concentração segura e controlada). Quando sai para depositar seus ovos em outros criadouros, acaba levando o produto para esses locais, contaminando-os e impedindo o desenvolvimento das larvas. 

Capacitação reuniu teoria e prática para fortalecer o monitoramento do *Aedes* em Maceió. Foto: Ascom SMS
Capacitação reuniu teoria e prática para fortalecer o monitoramento do *Aedes* em Maceió. Foto: Ascom SMS