PL redesenha alianças e pressiona aliados em SP, MG, DF e Nordeste para fortalecer Flávio Bolsonaro
Documento atribuído a Flávio Bolsonaro revela estratégias do PL para consolidar palanques e ampliar influência regional visando 2026.
Um documento atribuído ao senador Flávio Bolsonaro detalha o cenário de alianças, tensões internas e possíveis rearranjos do Partido Liberal (PL) para fortalecer sua candidatura presidencial em 2026.
As anotações, divulgadas pelo portal Poder 360, revelam tanto disputas regionais quanto estratégias para consolidar palanques, incluindo o uso de nomes da própria família Bolsonaro. Embora Flávio afirme que o material reúne apenas sugestões, o conteúdo indica movimentos concretos do partido para reposicionar aliados e pressionar parceiros estaduais.
São Paulo
No maior colégio eleitoral do país, o PL avalia intervir diretamente na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O vice-governador Felício Ramuth (PSD) está associado a suspeitas de lavagem de dinheiro, o que abre espaço para sua possível substituição. André do Prado (PL) surge como alternativa para a vice, enquanto a disputa pelo Senado permanece indefinida, com Guilherme Derrite (Progressistas) já lançado e uma lista de nomes bolsonaristas disputando a segunda vaga, incluindo Renato Bolsonaro, Mario Frias, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano, todos do PL.
Minas Gerais
No segundo maior colégio eleitoral, as anotações revelam desconforto com a candidatura de Mateus Simões (PSD), vice de Romeu Zema (Novo), vista como prejudicial ao desempenho de Flávio no estado. Como alternativa, o PL considera Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e destaca a necessidade de alinhamento com Nikolas Ferreira (PL), figura central do bolsonarismo mineiro.
Distrito Federal
No DF, o impasse envolve a disputa pelo Senado. O PL lançou uma chapa formada por Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, mas o governador Ibaneis Rocha (MDB) deve concorrer a uma das vagas, inviabilizando o apoio à vice-governadora Celina Leão (Progressistas), pré-candidata ao governo. O cenário cria um conflito direto entre o projeto bolsonarista e o grupo político local.
Nordeste
Na região de maior força eleitoral do PT, o PL busca alianças com lideranças consolidadas para tentar reduzir a vantagem petista. Na Bahia, a orientação é negociar primeiro com ACM Neto (União Brasil) antes de definir a composição, enquanto Jerônimo Rodrigues tentará a reeleição pelo PT. A estratégia revela pragmatismo e reconhecimento das dificuldades regionais.
Em Alagoas, o PL aposta na família do prefeito JHC, com sua esposa, Marina Cândida, cotada para disputar o Senado. O nome de Arthur Lira (Progressistas) aparece com uma interrogação, sugerindo incerteza sobre seu papel ou alinhamento no projeto nacional do PL.
O conjunto das anotações mostra um partido em movimento, ajustando alianças, testando nomes e administrando tensões internas para construir palanques competitivos em 2026. A forte presença da família Bolsonaro e a busca por alternativas regionais evidenciam uma estratégia que combina fidelidade ao núcleo bolsonarista com pragmatismo eleitoral, além da tentativa de Flávio de adotar uma imagem considerada "menos radical" que a de seu pai.
Por Sputinik Brasil