EXPOSIÇÃO

Exposição de Roxinha Lisboa que reuniu mais de 100 mil visitantes no Recife chega a Fortaleza em março

"Meu Brasil Interior" apresenta mais de 80 obras e dá sequência à circulação nacional pela CAIXA Cultural

Por Stephanie Rodrigues Publicado em 25/02/2026 às 16:05
Roxinha Lisboa - Meu Brasil Interior Brenda Alcântara

Depois de conquistar o público na CAIXA Cultural Recife e ultrapassar a marca de 100 mil visitantes desde a abertura em setembro, a exposição “Meu Brasil Interior”, dedicada à obra da artista popular alagoana Roxinha Lisboa, conclui sua passagem pela capital pernambucana e se prepara para seguir viagem. A próxima parada será Fortaleza, com abertura programada para o dia 10 de março, dando início a uma nova etapa da circulação nacional do projeto.

Com mais de 80 obras, a mostra apresenta um recorte sensível e vibrante da trajetória de Roxinha, artista autodidata que transformou memórias do sertão em narrativas visuais marcadas por cor, humor, fé e cotidiano. Realizada pela Orb Cultural, com patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil, a exposição reafirma a força da arte popular brasileira e amplia o alcance de uma produção artística que nasce no interior de Alagoas e dialoga com públicos de diferentes regiões do país.

Para Raquel Gomes, gerente da CAIXA Cultural Recife, receber a exposição como uma das primeiras cidades do circuito foi especialmente simbólico. Segundo ela, apoiar projetos como esse reforça o compromisso da instituição com a valorização das culturas brasileiras e com a democratização do acesso à arte, abrindo espaço para artistas de diferentes origens e trajetórias. Nesse contexto, a presença de Roxinha Lisboa ganha ainda mais relevância por representar uma artista nordestina, autodidata e com uma história de vida marcada pelo trabalho e pela força do cotidiano.

Raquel também destaca que o impacto da exposição foi especial não apenas pelo sucesso de visitação, mas pela oportunidade de apresentar ao público uma obra com linguagem própria, capaz de surpreender e emocionar. Para ela, a passagem por Recife, capital próxima da origem da artista, reforça o papel da CAIXA Cultural como ponte entre a arte popular e os públicos urbanos, ampliando o reconhecimento de uma produção que fala do interior com autenticidade e delicadeza.

Do sertão às galerias: a história de Roxinha Lisboa

Nascida em Lagoa de Pedra, distrito de Pão de Açúcar (AL), nos anos 1950, Maria José Lisboa da Cruz, a artista Roxinha, construiu sua vida entre o campo e a cidade pequena. Trabalhou desde cedo na roça, quebrou brita em pedreiras e foi gari por quase duas décadas. Aos 59 anos, já com os filhos crescidos e parte deles vivendo longe, começou a desenhar ao lado do marido, Domingos Lisboa, como uma forma de ocupar o tempo e aliviar a saudade.

O que começou como brincadeira ganhou força e se espalhou pela casa, pelos muros e por novos suportes. Roxinha passou a pintar também em pedaços de MDF e materiais encontrados nas redondezas, transformando o que parecia simples em arte carregada de memória, afeto e observação do cotidiano. Em poucos anos, sua obra ultrapassou Lagoa de Pedra e chegou a importantes espaços culturais do país, consolidando seu nome como um dos destaques da arte naïf contemporânea.

Uma exposição para todos os públicos

Fiel à proposta de inclusão e democratização cultural, “Meu Brasil Interior” conta com recursos de acessibilidade que ampliam a experiência do público. Cada obra possui QR Codes que levam a áudios de audiodescrição narrados na voz da própria Roxinha, recriada por meio de inteligência artificial. Além disso, a mostra também oferece fones redutores de ruído para pessoas com sensibilidade auditiva, além de ações com tradução em Libras em visitas e eventos.

Após a estreia em Fortaleza, a exposição seguirá em itinerância por outras capitais brasileiras, como Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, levando adiante um projeto que amplia o alcance da arte popular e reafirma a potência criativa do Nordeste em diálogo com o país.

Vídeo Raquel Gomes, gerente da CAIXA Cultural Recife