SAÚDE

Excesso de estímulos digitais dificulta o aprendizado e faz jovens evitarem pedir ajuda

Entre distrações constantes e pressão por desempenho, metodologias ativas como organização e planejamento ajudam a recuperar foco, compreensão e autonomia

Por Assessoria Publicado em 25/02/2026 às 13:21

Em meio a uma rotina escolar cada vez mais intensa, muitos jovens enfrentam dificuldades silenciosas. A pressão por desempenho, a comparação frequente nas redes sociais e o alto nível de autocrítica fazem com que admitir dúvidas seja visto como sinal de fragilidade, e não como parte natural do processo de aprendizagem.

As gerações Alfa e Beta cresceram em um ambiente marcado pela hiperconectividade e pelo bombardeio constante de estímulos digitais. Notificações, vídeos curtos, múltiplas telas e comparações em tempo real disputam a atenção o tempo todo, fragmentando o foco e dificultando a permanência em atividades que exigem concentração prolongada, como estudar, ler ou resolver problemas. Nesse contexto, pedir ajuda passa a ser percebido como exposição ao julgamento de colegas, professores ou até da própria família, reforçando comportamentos de isolamento justamente diante das dificuldades de compreensão.

Segundo Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil, o impacto desse excesso vai além da atenção e compromete diretamente a qualidade do aprendizado. “Os alunos de hoje têm acesso a muitas ferramentas, mas, diante de tantas informações simultâneas, organizar o que estudar, priorizar tarefas e transformar informação em conhecimento real se torna um grande desafio. As matérias estão mais densas, as cobranças aumentaram e, sem método, o estudante até estuda, mas não consolida o conteúdo. Isso gera ansiedade, insegurança e a sensação constante de estar sempre atrasado”, explica.

O receio de pedir apoio está diretamente ligado à pressão social e acadêmica. A comparação contínua nas redes, as expectativas elevadas de desempenho e a autocrítica excessiva fazem com que muitos jovens sintam que precisam resolver tudo sozinhos. Esse comportamento, embora comum, compromete o aprendizado e cria lacunas que se acumulam ao longo do tempo, tornando cada vez mais difícil acompanhar conteúdos mais complexos. 

Além do ambiente digital, estudos comportamentais indicam que mudanças nas experiências de infância e adolescência das gerações mais recentes também influenciam esse cenário. Pesquisa publicada pelo jornal francês Ouest-France aponta que pessoas nascidas nas décadas de 1960 e 1970 desenvolveram níveis mais elevados de paciência, tolerância à frustração e capacidade de concentração, possivelmente em função de um cotidiano menos marcado por tecnologia e gratificação imediata. Entre os jovens atuais, a dificuldade de sustentar o esforço cognitivo diante dos desafios favorece a evitação, o adiamento de tarefas e a resistência em pedir ajuda, aprofundando lacunas de aprendizado ao longo do tempo.

Para Cornetta, o acolhimento precisa vir acompanhado de metodologias ativas, baseadas em organização, planejamento e postura ativa do estudante. “Quando o aluno entende o que precisa fazer, por onde começar e qual é o objetivo de cada etapa, a sensação de sobrecarga diminui e a compreensão melhora. Estrutura gera clareza, e clareza gera segurança. Nesse ambiente, pedir ajuda deixa de ser fraqueza e passa a ser uma estratégia de evolução”, afirma.

O acompanhamento estruturado permite que o jovem saia do modo reativo, assuma responsabilidade pelo próprio aprendizado e desenvolva autonomia de forma consistente. Essa combinação fortalece não apenas o desempenho acadêmico, mas também a capacidade de lidar com pressão e tomar decisões de maneira mais consciente.

Apesar dos desafios, essas gerações apresentam grande potencial para inovação, engajamento social e pensamento crítico. Com orientação adequada e espaços de acolhimento, esses nativos digitais podem transformar sua relação com os estudos, equilibrando autonomia, aprendizado e bem-estar emocional, e se preparando de forma mais saudável para os desafios da vida adulta.