Tom positivo no exterior e pesquisa eleitoral estimulam novos ganhos do Ibovespa
Ibovespa atinge novo recorde impulsionado por cenário externo favorável e pesquisa que mostra disputa acirrada para 2026.
O Ibovespa mantém a trajetória de alta nesta quarta-feira, 25, dando continuidade ao desempenho positivo da véspera. O movimento é sustentado pelo otimismo nas bolsas internacionais e pela divulgação de uma nova pesquisa eleitoral. O levantamento Atlas/Bloomberg indica uma redução na diferença entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2026. Pela primeira vez, o principal índice da B3 alcançou a marca de 192 mil pontos, após registrar 13 recordes consecutivos de fechamento.
O cenário externo segue favorável, refletindo o anúncio dos Estados Unidos de uma tarifa mundial reduzida para 10% nesta semana. Simultaneamente, investidores repercutem o primeiro discurso do Estado da União do segundo mandato do presidente norte-americano, Donald Trump, realizado ontem.
Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, as oscilações na condução do governo Trump têm estimulado a diversificação geográfica de investimentos, beneficiando mercados emergentes como o Brasil, onde os ativos apresentam preços considerados atrativos, especialmente diante do debate eleitoral.
"Do ponto de vista pragmático, permanecem as teses que sustentam o viés positivo para o Ibovespa. O ingresso de capital estrangeiro segue firme, a perspectiva de queda da taxa Selic anima o mercado, e um terceiro fator, antes pouco comentado, começa a ganhar destaque: o debate eleitoral", afirma Spiess.
A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira, aponta Lula com 45% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 37,9%. Em relação à rodada anterior, de janeiro, Lula recuou 3,8 pontos percentuais, enquanto o senador avançou 2,9 pontos.
"A pesquisa impulsiona o mercado, mas o cenário externo já seria suficiente para sustentar o otimismo", destaca Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.
Para Spiess, a possibilidade de alternância no comando da Presidência é bem recebida pelo mercado, que busca uma gestão com perfil mais fiscalista.
No cenário internacional, discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ao longo do dia podem influenciar as expectativas para a política monetária americana.
De acordo com a plataforma CME, o mercado passou a considerar julho, e não mais junho, como o mês mais provável para o início do ciclo de cortes de juros pelo Fed. Após o fechamento dos mercados, será divulgado o balanço da Nvidia referente ao quarto trimestre de 2025.
No Brasil, os resultados do Nubank e do Grupo Pão de Açúcar estão no radar dos investidores, assim como o superávit primário do governo central em janeiro, de R$ 86,9 bilhões, valor abaixo da mediana das projeções.
No exterior, o petróleo inverteu a tendência e passou a operar em baixa, enquanto o minério de ferro registrou alta de 1,42% em Dalian, na China. As ações da Petrobras recuaram após alta inicial, e outro papel teve elevação de 1,60%.
Na terça-feira, o Ibovespa fechou com valorização de 1,40%, aos 191.490,40 pontos, novo recorde, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro, segundo analistas.
Até a última segunda-feira, o fluxo internacional na B3 somava R$ 12,286 bilhões.
Às 11h38 desta quarta-feira, o Ibovespa subia 0,17%, aos 191.827,59 pontos, após atingir a máxima histórica de 192.623,56 pontos (+0,59%) e registrar mínima de 191.285,56 pontos (-0,11%), com abertura em 191.490,52 pontos.