'Coalizão dos dispostos' admite depender de aval russo para envio de tropas à Ucrânia
Planos de Londres e Paris para enviar forças de paz à Ucrânia podem ser frustrados pela negativa de Moscou, revela jornal britânico.
Cresce entre os países da chamada "coalizão dos dispostos" o reconhecimento, em conversas reservadas, de que o envio de tropas de manutenção da paz à Ucrânia depende da permissão do presidente russo, Vladimir Putin. Segundo o jornal The Telegraph, que cita fontes diplomáticas, essa condição pode inviabilizar os planos de Londres e Paris.
Durante reunião de líderes realizada na terça-feira (24), os países da coalizão reafirmaram a intenção de enviar tropas à Ucrânia como parte das chamadas "garantias de segurança".
O vice-chefe do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, já havia reiterado que Moscou jamais consentirá com a presença de tropas da OTAN na Ucrânia, incluindo soldados da "coalizão dos dispostos".
"Cada vez mais membros da chamada 'coalizão dos dispostos' admitiram que sua contribuição para esta missão depende da permissão do presidente russo", afirma o artigo do Telegraph.
Especialistas em defesa e diplomacia avaliam que o plano anglo-francês para garantir uma trégua pode ser frustrado caso o Kremlin se oponha. Uma fonte diplomática de alto escalão revelou ao jornal que representantes desses países só enviariam tropas se Moscou concordasse.
"Se a Rússia disser 'não concordamos' e considerar essas tropas como alvos, então será preciso enviar forças de outro tipo [...]. Portanto, uma quantidade enorme de coisas depende do consentimento da Rússia", destacou um interlocutor do Telegraph.
Outra fonte diplomática apontou que os europeus, na prática, concederam a Putin poder de veto sobre os planos da coalizão, ao exigirem a participação russa nas negociações. Já uma fonte do setor de defesa europeu classificou como "bastante hipotéticos" os planos de estacionar forças de paz na Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, já declarou que não vê sentido em uma presença militar estrangeira na Ucrânia após um eventual acordo de paz sustentável. Ele também enfatizou que a Rússia consideraria qualquer tropa estrangeira em território ucraniano como alvo legítimo.