OPERAÇÃO

Força integrada desarticula grupo suspeito de fraudes milionárias contra a Caixa em Alagoas

Mandados foram cumpridos em três municípios; investigação aponta lavagem de dinheiro, uso de “laranjas” e apólices de seguro ligadas a mortes suspeitas

Por Redação Publicado em 25/02/2026 às 08:52
Ascom PF/AL

Uma operação conjunta das forças de segurança foi deflagrada nesta quarta-feira (25) com o objetivo de desmontar uma organização criminosa investigada por fraudes bancárias estruturadas e lavagem de dinheiro em Alagoas. Batizada de “Contrato Final”, a ação cumpriu 32 mandados judiciais entre busca e apreensão, prisões preventivas, sequestro de bens, afastamento cautelar de função pública e quebra de sigilo telemático.

As diligências ocorreram nos municípios de Maceió, Coruripe e São Luís do Quitunde. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos veículos de luxo, armas de fogo, balança de precisão e equipamentos eletrônicos que devem subsidiar o aprofundamento das investigações.

De acordo com a apuração, o grupo — supostamente liderado por empresários da região e com a participação de um gerente da própria instituição financeira — utilizava empresas de fachada e documentos falsos para obter empréstimos de alto valor junto à Caixa Econômica Federal. Após a liberação dos recursos, o dinheiro era transferido para contas pessoais dos investigados ou empresas ligadas ao esquema.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a contratação de seguros de vida em nome de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Conforme os indícios reunidos, parte dessas pessoas teria morrido em circunstâncias consideradas suspeitas após a formalização das apólices, tendo integrantes do grupo como beneficiários. Há registros que indicam possíveis casos de afogamento envolvendo moradores de rua, situação que será encaminhada ao órgão policial competente para apuração específica.

A Polícia Federal destacou que fraudes contra instituições financeiras federais impactam diretamente o Sistema Financeiro Nacional, comprometendo recursos destinados a políticas públicas e ao fomento econômico.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato majorado, falsidade ideológica e obtenção de financiamento mediante fraude. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.

A ação foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Alagoas (FICCO/AL), composta pela Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Penal do Estado.