Trump reforça agenda econômica e promete tarifas mais rígidas após revés na Suprema Corte
Em discurso do Estado da União, presidente dos EUA defende políticas para reduzir custos e reage à decisão judicial que limita seu poder tarifário.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu primeiro discurso do Estado da União neste segundo mandato para reafirmar sua agenda econômica, mirando as eleições de meio de mandato. Em uma fala que durou 1 hora e 48 minutos na noite desta terça-feira, 24, Trump destacou conquistas e prometeu respostas firmes após decisões judiciais desfavoráveis.
Trump criticou a decisão da Suprema Corte que invalidou seu uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas a parceiros comerciais. Em dois momentos, classificou a medida como "infeliz" e garantiu que responderá de forma "ainda mais forte". “Essas tarifas permanecerão em vigor sob estatutos legais alternativos totalmente aprovados e testados”, afirmou, assegurando que os países afetados desejam manter acordos já firmados com os EUA. Segundo o presidente, não será necessário o aval do Congresso para manter a política tarifária.
Trump exaltou os resultados econômicos de seu governo, afirmando que “trilhões e trilhões de dólares continuarão a entrar nos Estados Unidos da América, porque finalmente temos um presidente que coloca a América em primeiro lugar”. Ele comparou sua gestão à do ex-presidente Joe Biden, alegando que, enquanto Biden atraiu menos de US$ 1 trilhão em novos investimentos em quatro anos, sua administração já teria recebido mais de US$ 18 trilhões do exterior.
No discurso, Trump ressaltou sua prioridade em medidas para tornar a vida dos americanos mais acessível, especialmente diante das eleições de novembro. O temor do governo é que um desempenho ruim dos republicanos nas urnas possa resultar na perda do controle de uma das Casas do Congresso, colocando sua agenda e até mesmo seu mandato em risco diante de uma possível ofensiva da oposição.
A inflação foi tema central logo no início da fala. Trump voltou a responsabilizar Biden pelo aumento dos preços, mas afirmou que sua gestão promoveu uma "reviravolta histórica", levando o país a uma "era de ouro". Segundo ele, a inflação subjacente atingiu o menor patamar em cinco anos. O presidente citou a queda nos preços da gasolina, ovos e medicamentos, e indicou que a redução das taxas de juros deverá resolver os problemas habitacionais herdados do governo anterior.
Na área energética, Trump prometeu novas ações. Ele afirmou que seu governo solicitou às grandes empresas de tecnologia que assumam seus próprios custos energéticos, evitando repasses para os consumidores. “Muitos americanos também estão preocupados com o impacto do consumo energético dos data centers de IA nas contas de luz”, observou. Segundo ele, em diversos casos, os preços da eletricidade devem cair para a população, e cair "substancialmente".