MERCADO GLOBAL

Tensão entre EUA e Irã eleva preço do petróleo e reacende temor de bloqueio no estreito de Ormuz

Escalada no Oriente Médio impulsiona cotação do petróleo e preocupa mercados quanto à segurança do abastecimento global.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 25/02/2026 às 07:28
Tensão entre EUA e Irã impulsiona o preço do petróleo e ameaça o fluxo no estratégico estreito de Ormuz. © AP Photo / Fars News Agency / Mahdi Marizad

A intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã elevou o preço do petróleo ao maior patamar em seis meses, reacendendo temores de interrupções no fornecimento global diante do risco de ataques militares e de um possível bloqueio iraniano ao estratégico estreito de Ormuz, rota fundamental para as exportações de energia do Oriente Médio.

O receio de que um confronto direto no Oriente Médio, envolvendo um possível ataque dos EUA ao Irã, já se reflete no mercado internacional, impulsionando o preço do petróleo. Esse movimento está relacionado à possibilidade de interrupção na produção iraniana ou de bloqueio de rotas estratégicas de exportação por parte de Teerã. Operadores acompanham atentamente cada desdobramento, diante do risco de descontinuidade no fluxo global de energia.

Os Estados Unidos mobilizaram significativo poder militar na região, enquanto o presidente Donald Trump avalia um ataque limitado ao Irã, buscando pressionar por um acordo que restrinja o programa nuclear iraniano. Qualquer ofensiva — ou uma eventual tentativa do Irã de restringir o acesso ao estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quarto do petróleo transportado por mar — teria impacto imediato nos mercados globais.

A indústria petrolífera iraniana, embora menos influente do que em décadas anteriores, ainda exerce papel relevante. O país responde por cerca de 3% da oferta mundial, com produção estimada em 3,3 milhões de barris por dia. Nos anos 1970, o Irã chegou a fornecer mais de 10% do petróleo global, posição perdida após a Revolução de 1979 e a saída de empresas estrangeiras.

O setor ensaiou recuperação após a Guerra Irã-Iraque, mas voltou a ser impactado pelas sanções reimpostas em 2018, quando o governo Trump abandonou o acordo nuclear. Atualmente, o Irã ocupa a quarta posição entre os maiores produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), atrás de Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, e opera sob severas restrições a investimentos externos.

De acordo com a Bloomberg, com as sanções, a China tornou-se praticamente o único grande comprador do petróleo iraniano, absorvendo cerca de 90% das exportações. Em janeiro, esses fluxos chegaram a 1,25 milhão de barris por dia, volume bem superior ao registrado no ano anterior.

Uma interrupção significativa na produção iraniana obrigaria refinarias chinesas a buscar fornecedores alternativos, mas o maior risco para o mercado global está no estreito de Ormuz. A passagem, vital para o escoamento de petróleo de países como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, movimenta aproximadamente 16,5 milhões de barris por dia e já foi alvo de ameaças iranianas em momentos de tensão.

Embora alguns países contem com rotas alternativas — como oleodutos que desviam parte da produção para o mar Vermelho ou o golfo de Omã —, um bloqueio total do estreito provocaria um forte choque de oferta, especialmente para a Ásia. Episódios recentes de tensão já demonstraram a sensibilidade do mercado, com aumento nas taxas de frete de superpetroleiros, segundo apuração.

O petróleo segue como um pilar da economia iraniana, contribuindo com cerca de dois pontos percentuais para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023. Mesmo vendendo com grandes descontos, o país arrecadou cerca de US$ 2,7 bilhões (aproximadamente R$ 13,09 bilhões) apenas em novembro.

No entanto, essa receita pode ser pressionada caso a campanha de "pressão máxima" dos EUA afaste compradores chineses ou force o Irã a competir com o petróleo russo, também vendido a preços reduzidos.