MINISTÉRIO PÚBLICO

Investigação sobre 'rachadinha' envolvendo Carlos Bolsonaro é retomada pela Procuradoria do Rio

Após recusa de arquivamento, caso volta a ser analisado e pode ter novas diligências para apurar suspeitas no gabinete de Carlos Bolsonaro.

Publicado em 25/02/2026 às 06:09
Procuradoria do Rio retoma investigação sobre suspeita de rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro. © AP Photo / Eraldo Peres

A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro decidiu retomar a investigação sobre suspeitas de "rachadinha" no antigo gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal. O órgão rejeitou o pedido de arquivamento e encaminhou o caso a outra promotoria, que deverá avaliar a necessidade de novas diligências.

A reabertura da investigação ocorre após decisão da Justiça do Rio, que determinou o retorno do procedimento ao Ministério Público. Isso porque o promotor Alexandre Graça havia denunciado ex-assessores de Carlos, mas deixou o ex-vereador fora da acusação, por entender que não havia irregularidades na movimentação financeira dele. Até o momento, a defesa de Carlos Bolsonaro não se manifestou.

Quando o arquivamento foi anunciado, Carlos Bolsonaro afirmou receber a notícia com tranquilidade e expressou indignação com a denúncia contra seus ex-funcionários. Na ocasião, declarou confiar plenamente em sua equipe e disse acreditar que todos demonstrariam a fragilidade das acusações e sua inocência.

Em nova análise, o subprocurador-geral Marcelo Pereira Marques considerou prematuro encerrar a apuração e determinou que outra promotoria revisse o caso. Ele destacou que diligências importantes não foram realizadas, especialmente aquelas que, em investigações anteriores, embasaram a denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) — posteriormente anulada por invalidação de provas.

Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, o Ministério Público não investigou transações imobiliárias de Carlos nem verificou como foram pagos boletos de planos de saúde, elementos considerados cruciais para identificar suposta lavagem de dinheiro no caso do irmão.

A apuração, porém, apontou diferenças no padrão financeiro dos dois: Carlos sacava quase 90% do salário, enquanto Flávio fazia poucas retiradas, o que dificultaria rastrear eventuais desvios.

O promotor Alexandre Graça defendeu sua condução do caso, afirmando que todas as diligências necessárias foram realizadas e que as críticas decorrem de desconhecimento sobre a investigação. Ainda assim, com a decisão da Procuradoria, o procedimento será reavaliado, mantendo o ex-vereador novamente no foco das apurações.

Por Sputnik Brasil