MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa fecha em alta histórica e supera os 191 mil pontos pela primeira vez

Índice da B3 avança 1,40% e registra novo recorde, impulsionado por recuperação de bancos e fluxo estrangeiro

Publicado em 24/02/2026 às 18:49
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ibovespa atingiu nesta terça-feira (24) um novo patamar histórico, encerrando o pregão aos 191.490,40 pontos, em alta de 1,40%. Durante o dia, o índice chegou à máxima intradiária de 191.780,77 pontos, marcando o 13º recorde de fechamento desde 14 de janeiro. O volume negociado foi de R$ 33 bilhões. No acumulado da semana, o índice soma alta de 0,50%, enquanto no mês avança 5,58%. No ano, o Ibovespa já acumula valorização de 18,85%.

O destaque do dia ficou para as ações do setor bancário, que se recuperaram após a realização de lucros registrada na véspera. O Santander liderou os ganhos entre os bancos, subindo 3,41% após queda de 5% na segunda-feira. Banco do Brasil ON avançou 1,76% e Itaú PN teve alta de 1,52%. Apesar do desempenho negativo do petróleo Brent e WTI, as ações da Petrobras também subiram: 2,28% na ON e 2,54% na PN. Vale ON teve leve alta de 0,39%.

No topo das maiores altas do índice estiveram IRB (+7,26%), Vamos (+6,40%) e Natura (+6,40%). Na ponta oposta, Minerva (-4,43%), Copasa (-2,84%) e Metalúrgica Gerdau (-2,46%) registraram as maiores quedas.

Recuperação dos bancos e cenário externo

Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o setor financeiro sofreu forte realização de lucros na segunda-feira (23), influenciado pela cautela nos mercados internacionais. "O fluxo segue forte para a B3, com o dólar ainda se depreciando, o que mantém a Bolsa brasileira em destaque", destaca.

Rubens Cittadin, operador da Manchester Investimentos, acrescenta que a realização de lucros de ontem foi motivada principalmente pela cautela externa, sem grandes gatilhos domésticos.

Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, ressalta que a recuperação dos bancos ocorre após movimentos globais de preocupação com a guerra comercial dos EUA, agravada por decisões recentes da Suprema Corte americana sobre tarifas impostas pelo governo Trump. "O mercado ainda busca entender os próximos passos do governo americano em relação às tarifas", afirma.

Petrobras e influência do investidor estrangeiro

Josias Bento, sócio da GT Capital, observa que, mesmo com a queda do petróleo, as ações da Petrobras seguem em alta, impulsionadas pelo aporte de investidores estrangeiros. Ele também destaca o desempenho positivo das bolsas americanas: Dow Jones (+0,76%), S&P 500 (+0,77%) e Nasdaq (+1,04%).

Dólar e juros reagem a cenário internacional

Marcos Vinícius Oliveira, economista da ZIIN Investimentos, relata que o mercado começou o dia em tom de cautela, com o dólar abrindo em alta, próximo de R$ 5,18, e juros pressionados. No fechamento, porém, o dólar recuou 0,26%, cotado a R$ 5,1554.

Oliveira destaca ainda que a entrada em vigor de novas tarifas americanas, com alíquota de 10% — abaixo da expectativa de 15% —, foi interpretada como uma medida menos agressiva pelo mercado, contribuindo para o alívio nos ativos de risco.