Petróleo fecha em baixa diante de avanços diplomáticos do Irã e tensões geopolíticas
Expectativas de acordo entre Irã e EUA, redução de tarifas e impactos da guerra da Ucrânia pressionam preços do petróleo nos mercados globais.
Os contratos futuros de petróleo encerraram o pregão desta terça-feira, 24, em queda, influenciados principalmente pelo cenário diplomático entre Estados Unidos e Irã. Sinais emitidos por Teerã indicando disposição para buscar um acordo com Washington ajudaram a reduzir os prêmios de risco associados à commodity.
Além das negociações diplomáticas, o mercado segue atento às disputas tarifárias globais, especialmente após o anúncio do então presidente Donald Trump sobre a redução das tarifas de 15% para 10%. Paralelamente, os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia continuam no radar dos investidores, justamente no dia em que o conflito completa quatro anos, impactando o mercado de hidrocarbonetos.
No fechamento, o petróleo WTI para abril, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), recuou 1,02% (US$ 0,68), cotado a US$ 65,63 por barril. O Brent para maio, por sua vez, caiu 0,75% (US$ 0,53), a US$ 70,58 o barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
O vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, afirmou que o país está "pronto para chegar a um acordo o mais rápido possível" com os EUA e fará "tudo o que for necessário para que isso aconteça", segundo a agência de notícias Isna.
Segundo análise do Commerzbank, "a maior parte do recente aumento de preço se deve a um prêmio de risco crescente. O preço está bem acima do justo do petróleo, o que poderia ser explicado apenas por fatores fundamentais. Os spreads temporais da curva a termo do Brent, ou seja, os diferenciais de preço para os vários vencimentos dos contratos, também aumentaram consideravelmente".
Na última sexta-feira, era necessário pagar um prêmio de US$ 3,5 pelo petróleo com entrega em um mês em relação ao contrato com entrega em sete meses. Em comparação com contratos para entrega em 12 meses, o prêmio superou US$ 5. A última vez que os spreads de prazo foram mais elevados foi em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, que culminou com um ataque dos EUA a instalações nucleares iranianas.
Em meio ao conflito, a Transneft, monopólio russo de oleodutos, reduziu a entrada de petróleo bruto em seu sistema em cerca de 250 mil barris por dia, segundo fontes ouvidas pela Reuters. A medida ocorreu após um ataque com drones ucranianos à estação de bombeamento de Kaleykino provocar um incêndio. O local abastece o oleoduto Druzhba, responsável por transportar petróleo bruto de Moscou para o Leste europeu.