Prefeita de Juiz de Fora compara destruição a 'Cem Anos de Solidão' e alerta para novas chuvas
Margarida Salomão cita obra de Gabriel García Márquez ao descrever os impactos das chuvas e orienta população a evitar deslocamentos. Município está em estado de calamidade.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), comparou a devastação causada pelas chuvas intensas que atingiram o município à tragédia climática descrita no romance "Cem Anos de Solidão", do escritor colombiano Gabriel García Márquez, no fictício vilarejo de Macondo, onde uma chuva incessante dura mais de quatro anos.
"O que aconteceu ontem foi algo inusitado. Parecia 'Cem Anos de Solidão', Macondo. Eu rezava para a chuva passar. Era intensa, destrutiva", relatou Margarida em entrevista à Globonews.
Segundo a prefeita, a situação foi "extraordinariamente ruim" e a administração municipal já se prepara para possíveis agravamentos: "Estamos nos preparando para o pior que possa acontecer". A região permanece em alerta, com previsão de mais chuvas nas próximas horas.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Margarida pediu que a população reduza as atividades e evite deslocamentos, já que a cidade enfrenta estado de calamidade pública devido ao volume histórico de chuvas.
De acordo com a gestora, fevereiro já acumula 584 mm de precipitação, tornando-se o mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora.
"Não estou dizendo que deve fechar o comércio, mas considerando a dificuldade das pessoas de se deslocarem para seus locais de trabalho, precisamos de um dia de recuperação e restauração, até que a normalidade seja restabelecida", declarou em vídeo publicado durante a madrugada.
Juiz de Fora amanheceu com áreas alagadas, bairros ilhados e pontos onde o Rio Paraibuna e córregos transbordaram. Foram registrados dezenas de deslizamentos, quedas de árvores e o desabamento de dois prédios.
A prefeitura suspendeu as aulas nas escolas municipais e recomendou que servidores adotem o trabalho remoto nesta terça-feira.
Margarida ressaltou que o decreto de calamidade, assinado durante a madrugada, permite à administração acessar recursos federais e estaduais, além de mobilizar voluntários e coordenar campanhas de arrecadação de bens essenciais para os afetados.
Segundo a prefeitura, ao menos 16 pessoas morreram e cerca de 440 moradores estão desabrigados.
"É uma situação extrema que exige medidas extremas. Nossa maior preocupação é a segurança da população e a preservação de vidas", destacou a prefeita, acrescentando que todas as ações estão sendo coordenadas pela subsecretaria de Defesa Civil.