POLÍTICA MONETÁRIA

Bailey, do Banco da Inglaterra, diz que queda da inflação abre espaço para corte de juros, mas evita previsão

Presidente do BoE afirma que processo de desinflação pode permitir cortes, mas decisão dependerá de novos dados econômicos.

Publicado em 24/02/2026 às 14:28
Bailey, do Banco da Inglaterra, diz que queda da inflação abre espaço para corte de juros, mas evita previsão Reprodução / internet

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, afirmou nesta terça-feira, 24, durante testemunho no Comitê do Tesouro do Reino Unido, que a melhora das condições para flexibilizar a política monetária não significa, necessariamente, que haverá redução dos juros já na próxima reunião ou nas demais previstas para este ano.

"Irei para as próximas reuniões considerando se há justificativa para um corte de juros", declarou Bailey.

Segundo ele, a continuidade do processo de desinflação em direção à meta de 2% abre espaço para a redução das taxas britânicas, mas destacou que outros fatores precisam ser avaliados. "Vemos arrefecimento do mercado de trabalho, mas há dúvidas se isso terá reflexos na redução da inflação, das expectativas inflacionárias e dos salários", pontuou.

Bailey ressaltou ainda que os dirigentes do BoE estão monitorando de perto a inflação subjacente no Reino Unido. O economista-chefe do banco central, Huw Pill, afirmou que o cenário ainda é de pressão doméstica sobre os preços, mantendo a inflação subjacente persistentemente acima da meta. "A desinflação está intacta, mas não completa", acrescentou.

Pill avaliou que a política monetária segue restritiva e deve permanecer assim até que haja evidências mais concretas de redução das pressões inflacionárias. O BoE projeta que a inflação britânica atinja temporariamente a meta de 2% em abril, mas só deva se manter nesse patamar de forma sustentada a partir do terceiro trimestre de 2026.

Já o membro externo do Comitê de Política Monetária do BoE, Alan Taylor, avaliou que a trajetória dos juros segue em processo de normalização em direção a níveis neutros. "Resolvendo essas questões sobre emprego e inflação, poderemos continuar os cortes", afirmou.

Ao ser questionado, Bailey disse ainda que acompanhará atentamente as medidas do governo relativas ao orçamento e seus possíveis efeitos sobre a economia e a inflação.