Índice de evolução do emprego industrial tem pior janeiro desde 2017, diz CNI
Mesmo com leve alta em relação a dezembro, indicador reflete queda de postos de trabalho e produção no início de 2026.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta terça-feira, 24, o índice de evolução do número de empregados da indústria referente a janeiro de 2026. O indicador ficou em 47,6 pontos, o pior resultado para o mês desde 2017, apesar de ser 0,7 ponto superior ao registrado em dezembro do ano passado.
Como o índice permaneceu abaixo dos 50 pontos, o resultado aponta para uma redução dos postos de trabalho no setor industrial no primeiro mês do ano. A edição de janeiro da Sondagem Industrial ouviu 1.418 empresas — sendo 590 pequenas, 483 médias e 345 grandes — entre os dias 2 e 12 de fevereiro de 2026.
O índice que mede a evolução da produção industrial também apresentou alta, subindo 4 pontos entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, e alcançando 44,9 pontos. No entanto, a elevação não foi suficiente para ultrapassar a linha dos 50 pontos, indicando queda na produção na virada do ano. Esse é o menor valor para o mês desde 2022.
Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) ficou em 66% em janeiro, mantendo o patamar de dezembro de 2025. Mesmo assim, o percentual é o menor para o mês desde 2019.
"É comum que esses índices fiquem abaixo dos 50 pontos no início de cada ano, mas os resultados foram piores do que o habitual. Isso reflete a queda da demanda por produtos industriais observada desde o ano passado, consequência do patamar persistentemente alto da taxa de juros", afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Perspectivas para 2026 são positivas:
— O índice de expectativa de demanda subiu de 52,7 para 54,2 pontos;
— O indicador de expectativa de compra de insumos e matérias-primas avançou de 52 para 52,8 pontos;
— O índice de expectativa de número de empregados cresceu de 49,9 para 50,4 pontos.