Bolsas europeias fecham sem direção única após anúncio de tarifas dos EUA
Mercados reagem com cautela à tarifa global de 10% dos EUA, inferior à ameaça inicial de Trump, e acompanham desdobramentos geopolíticos e setoriais.
As bolsas da Europa encerraram o pregão desta terça-feira (24) sem direção única, refletindo o apetite restrito ao risco após o anúncio de novas tarifas globais dos Estados Unidos, fixadas em 10% — percentual inferior ao anteriormente citado pelo presidente Donald Trump, que chegou a ameaçar tarifas de 15%.
Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,04%, fechando a 10.680,59 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,12%, atingindo 25.021,65 pontos. Já o CAC 40, em Paris, subiu 0,26%, encerrando a 8.519,21 pontos. Em Milão, o FTSE MIB teve queda de 0,10%, a 46.651,72 pontos. O Ibex 35, de Madri, caiu 0,38%, fechando a 18.218,30 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 avançou 0,25%, a 9.269,17 pontos. As cotações são preliminares.
Mais cedo, a Casa Branca confirmou que a tarifa global será de 10%, válida por 150 dias a partir desta terça-feira, adotada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA. Apesar do alívio inicial, o Swissquote Bank alerta para o impacto potencial sobre as montadoras europeias, especialmente após o Parlamento Europeu adiar a votação do acordo comercial firmado no ano passado entre EUA e União Europeia (UE).
No setor automotivo, importantes ações registraram alta: Volkswagen (+1,90%), BMW (+1,09%) e Renault (+2%), mesmo após a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) informar queda nas vendas das três montadoras em janeiro, pressionadas pela crescente concorrência de fabricantes chineses.
Na esfera geopolítica, o Reino Unido anunciou o maior pacote de sanções contra a Rússia desde o início da guerra na Ucrânia. Além do conflito no Leste Europeu, incertezas sobre as relações entre Washington e Teerã impulsionaram papéis do setor de defesa, com ganhos de 2,04% para a italiana Leonardo e de 1,59% para a alemã Rheinmetall.
Em outro destaque, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, afirmou que a inflação britânica deve se aproximar da meta de 2% em abril e que avaliará, nas próximas reuniões de política monetária, se um corte de juros "é justificado".