China avalia novas tarifas dos EUA e pode adotar contramedidas
Governo chinês acompanha de perto medidas tarifárias dos EUA e reforça defesa do livre comércio em meio a negociações bilaterais.
O Ministério do Comércio da China declarou nesta terça-feira (24) que está "acompanhando de perto" as recentes mudanças tarifárias implementadas pelos Estados Unidos e poderá ajustar suas contramedidas. Ao mesmo tempo, o órgão reforçou o compromisso com o livre comércio e destacou o aprofundamento da cooperação com a Alemanha.
Em resposta a questionamentos sobre a decisão da Suprema Corte americana de suspender tarifas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) e à medida do então presidente Donald Trump de impor uma sobretaxa de 10% sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, o porta-voz do ministério afirmou que Pequim "tomou conhecimento da situação" e fará "uma avaliação abrangente das medidas adotadas pelos EUA".
Segundo o porta-voz, em 2023, Washington impôs tarifas adicionais de 10% sobre produtos chineses sob o pretexto de "tarifa do fentanil" e de 34% como "tarifa recíproca", das quais 24% foram suspensas, resultando em um aumento efetivo de 20%. Agora, apesar da suspensão das cobranças anteriores após decisão da Suprema Corte e atos administrativos, os EUA passaram a aplicar a nova sobretaxa de 10% com base na Seção 122.
"A China se reserva o direito de adotar todas as medidas necessárias para salvaguardar firmemente seus direitos e interesses legítimos", afirmou o porta-voz. Ele acrescentou que o país "sempre se opôs a todas as formas de tarifas unilaterais" e pediu que Washington cancele tais medidas. Pequim também manifestou disposição para manter o diálogo na sexta rodada de negociações econômicas e comerciais entre os dois países. Está prevista uma visita de Donald Trump à China em abril para encontro bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping.
Paralelamente, o ministério destacou a visita do chanceler alemão, Friedrich Merz, à China, acompanhado de uma delegação empresarial de alto nível. O comércio bilateral sino-alemão supera US$ 200 bilhões anuais, com estoque de investimentos acima de US$ 65 bilhões — cerca de um quarto do total entre China e União Europeia (UE). Pequim afirmou que pretende ampliar a cooperação com a Alemanha em setores tradicionais e emergentes, como energia limpa, biotecnologia e digitalização industrial, reforçando o papel das relações econômicas como "âncora de estabilidade" nas ligações China-UE.