TRABALHO

Quais benefícios trabalhistas mais geram dúvida entre os brasileiros?

Mudanças nas regras e surgimento de novos modelos de contrato aumentam incertezas sobre direitos dos trabalhadores

Por Monique Marquesini Publicado em 24/02/2026 às 09:55
iStock / JERO SenneGs

As regras das relações de trabalho individuais e coletivas continuam a gerar dúvidas entre os brasileiros. Embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) exista há mais de 80 anos e a Reforma Trabalhista esteja próxima de completar uma década, existem questionamentos sobre o direito a benefícios como abono salarial e seguro-desemprego.

Essas compensações ao trabalhador são concedidas nos modelos de contratos que formam o vínculo empregatício previsto em lei. Além disso, são instrumentos também utilizados como estratégia para atrair e reter talentos nas empresas, através de valorização e proteção ao bem-estar do funcionário. Essa prática tende a despertar dúvidas entre os profissionais.

Diante das diferenças na oferta, o Pagou Fácil, plataforma de negociação de dívidas desenvolvida pela Paschoalotto, analisou o padrão de comportamento nas buscas dos brasileiros no Google durante os 12 meses de 2025. Nesse período, o volume de pesquisas revelou quais são as principais dúvidas sobre os benefícios trabalhistas.

As buscas com maior volume são as asseguradas pela lei e voltadas à segurança financeira. Isso demonstra que os benefícios extras concedidos pelas empresas ainda não superaram, metricamente, o interesse da maioria dos trabalhadores que buscam pelo tema na internet.



Quais são os benefícios?


Na prática, existem benefícios obrigatórios e opcionais. Os direitos fundamentais são: registro em carteira, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), salário, horas extras, 13º salário, férias remuneradas, vale-transporte, descanso semanal remunerado, aviso prévio, rescisão de contrato, adicional noturno e licença-maternidade ou paternidade.

São recursos opcionais, mas frequentemente ofertados em empresas brasileiras, o vale-refeição ou alimentação, os planos de saúde para assistência médica e/ou odontológica e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Este último é uma remuneração extra concedida, geralmente, quando metas são alcançadas.

Como as principais dúvidas foram relacionadas às garantias legais que ajudam, direta ou indiretamente, na manutenção de renda, entende-se que a preocupação do trabalhador ainda se concentra nesse espectro. Afinal, no estudo o maior volume na somatória de buscas se relaciona com situações de desligamento ou afastamento.

Negociação de dívidas e organização financeira


Mais do que a insegurança sobre acesso, valores e pagamento de direitos, a pesquisa mostrou como o sustento econômico é a prioridade. E esse dado ganha mais camadas quando posto no contexto de que, no país, 4 em cada 10 brasileiros estão inadimplentes, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

A manutenção de emprego e renda é uma ferramenta importante para a sustentabilidade financeira do trabalhador. Porém, como previsto na legislação, existem recursos que podem ser acessados para que a pessoa fique assegurada por um período até que retome suas atividades e sua remuneração, como o saque do FGTS e o seguro-desemprego.

Existe também o abono salarial, que é um benefício concedido aos trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. O valor equivalente a até um salário mínimo é pago anualmente a quem responde os seguintes requisitos:

ter cadastro no PIS/PASEP há pelo menos cinco anos;
ter trabalhado de carteira assinada por, no mínimo, 30 dias no ano-base;
estar no Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial).

Esse valor é um reforço financeiro que ajuda trabalhadores de baixa renda a reorganizar o seu dinheiro, quitar dívidas ou investir em outras áreas. O calendário de pagamento 2026, com ano-base 2024, foi divulgado pela Caixa, que atua como agente pagador do abono salarial, e os valores estarão disponíveis para saque até 30 de dezembro deste ano.

Novos modelos de trabalho


No ranking do Pagou Fácil sobre as principais dúvidas a respeito de benefícios trabalhistas pesquisados no Google, apareceram duas modalidades que destoam da temática de manutenção de renda: os termos “Jovem Aprendiz” e “trabalho remoto”. Cada um possui uma regulamentação específica.

Jovem Aprendiz


O Programa de Aprendizagem Profissional é uma iniciativa do governo para inserir adolescentes no mercado de trabalho, sem prejudicar os estudos regulares. Podem participar jovens de 14 a 24 anos incompletos. A contratação deve ser formalizada no eSocial, que anotará automaticamente na carteira digital.


Trabalho remoto

Inserido na CLT pela Reforma Trabalhista, esse regime se define pela prestação de serviços fora das dependências do empregador que não constituam trabalho externo. Para segurança, as regras devem ser detalhadas por contrato. Nos contratos de carteira assinada, o trabalhador pode ser monitorado, desde que o equipamento seja da empresa.

As discussões sobre modernização do mercado, jornada de trabalho e remuneração continuam frequentes e tendem a implicar em mais mudanças na legislação no futuro.