TENSÃO INTERNACIONAL

Chefe militar dos EUA alerta Trump sobre falta de munição em possível ataque ao Irã

General Dan Caine aponta riscos elevados para tropas americanas devido à escassez de munições e apoio limitado de aliados, segundo o Washington Post.

Publicado em 24/02/2026 às 08:35
Chefe militar dos EUA alerta Trump sobre falta de munição em possível ataque ao Irã AP/Allison Robbert

Enquanto o governo dos Estados Unidos avalia a possibilidade de um ataque ao Irã, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, alertou o presidente Donald Trump e outros membros do alto escalão sobre a escassez de munições essenciais e a falta de apoio de aliados, fatores que aumentariam significativamente os riscos para as tropas americanas. A informação foi revelada nesta segunda-feira, 23, pelo jornal The Washington Post, com base em fontes próximas às discussões internas.

Segundo a reportagem, durante uma reunião na Casa Branca na terça-feira, 17, Caine destacou que qualquer operação em larga escala contra o Irã enfrentaria sérios desafios, já que o estoque de munições dos EUA está reduzido devido ao apoio contínuo a Israel e à Ucrânia.

Em outras reuniões no Pentágono, o general expressou preocupação com a complexidade de um eventual ataque e com o número potencial de baixas entre os militares americanos. De acordo com o Post, Caine acredita que a ausência de apoio de aliados na região tornaria a operação ainda mais difícil.

Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que a dimensão de uma ofensiva contra o território iraniano dependeria dos objetivos de Trump, mas, em qualquer cenário, exigiria atacar centenas ou milhares de alvos. Se a meta fosse derrubar o regime do aiatolá Ali Khamenei, a campanha seria ainda mais longa e custosa, demandando maior quantidade de munições e expondo mais vidas a riscos.

Dois tipos de munição considerados críticos para os EUA — os interceptores THAAD e os sistemas de mísseis Patriot — têm sido amplamente utilizados no Oriente Médio e são frequentemente requisitados pela Ucrânia devido ao conflito com a Rússia.

Ryan Brobst, vice-diretor do Centro de Poder Militar e Político da Fundação para a Defesa das Democracias, afirmou ao Washington Post que os EUA conseguem produzir apenas algumas centenas dessas munições por ano, quantidade insuficiente para um conflito em larga escala. A Marinha americana, segundo ele, também enfrenta limitações no fornecimento de certos mísseis padrão.

Um ataque ao Irã também poderia abalar alianças estratégicas dos EUA no Oriente Médio. O Post relata que uma fonte de um país do Golfo Pérsico afirmou que não permitiria o uso de bases militares em seu território para operações contra o Irã, devido a ameaças de retaliação e dúvidas sobre a capacidade dos EUA de garantir a segurança do espaço aéreo.

Em comunicado, o gabinete de Caine ressaltou que, como principal conselheiro militar do presidente, o general “apresenta, de forma confidencial, uma série de opções militares, bem como considerações secundárias, impactos e riscos associados, aos líderes civis responsáveis pelas decisões de segurança dos Estados Unidos”.

Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, destacou que Trump ouve “uma série de opiniões sobre qualquer questão e decide com base no que é melhor para a segurança nacional dos EUA”. Ela descreveu Caine como um “membro talentoso e altamente valorizado da equipe de segurança nacional do presidente Trump”.

Após a publicação da reportagem pelo Washington Post, Trump declarou nas redes sociais que é “100% incorreto” que Caine seja “contra entrarmos em guerra com o Irã”. Segundo Trump, o general não gostaria de um confronto, mas acredita que, se ocorrer, “seria facilmente vencido”. O jornal manteve a matéria, ressaltando que as fontes ouvidas anonimamente discordam dessa avaliação.