Unesp faz parceria para discutir equidade de gênero com grupos formados exclusivamente por homens nos câmpus universitários
Parte do programa Unesp Sem Assédio, iniciativa reúne pró-reitoria que estuda temática e coordenadoria de saúde com o objetivo de mobilizar os homens pela equidade de gênero, por meio de metodologia que debate masculinidades
Em prol de um ambiente universitário mais plural e respeitoso, a Unesp vai estimular os homens a participarem do diálogo sobre os vários tipos de assédios que permeiam relações interpessoais em todos os segmentos da comunidade acadêmica. No âmbito do programa Unesp Sem Assédio, a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade) e a Coordenadoria de Saúde da Unesp fecharam uma parceria com o Instituto Memoh para levar as masculinidades para o centro desta discussão.
O objetivo principal é mobilizar homens em favor da equidade de gênero por meio do debate sobre masculinidades, constituindo grupos reflexivos que atuem como redes de diálogo, escuta e responsabilização. A proposta não se dirige apenas àqueles que se sentem desconfortáveis com os modelos tradicionais de masculinidade, mas a todos que desejam problematizar padrões historicamente construídos para romper com ciclos de violência.
A parceria entre a Unesp e o Memoh prevê a formação de multiplicadores e facilitadores nos 24 câmpus universitários. As equipes deverão ser compostas por duplas formadas por um servidor técnico-administrativo e um estudante, que atuarão conjuntamente na condução dos grupos de discussão e na disseminação das reflexões em cada localidade.
De acordo com o professor Leonardo Lemos, pró-reitor da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, a ideia de formatar os grupos reflexivos compostos exclusivamente por homens surgiu após diagnósticos realizados a partir das rodas de conversa promovidas nos câmpus universitários em que o assédio foi discutido.
"Esta é uma ação para promover o debate sobre masculinidades e as relações de gênero. É uma forma de entendermos a mudança de cultura necessária dentro de cada unidade considerando as relações de poder que envolvem homens e mulheres", afirma o pró-reitor.
Metodologias como esta a ser aplicada na comunidade da Unesp, que instigam os homens a participarem do debate, foram construídas no contexto do arcabouço legal erguido no Brasil nas últimas duas décadas, com disposições que punem de forma mais severa a violência de gênero, como a Lei Maria da Penha (2006) e a Lei do Feminicídio (2015).
Uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2022, enfoca a criação e a manutenção de programas que promovam a reflexão e a responsabilização de agressores de violência doméstica e familiar. Antes da recomendação do CNJ, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia criado os moldes de grupos reflexivos que trazem agressores para o meio de rodas de conversa ---com resultados positivos na prevenção de atos reincidentes.
Na Unesp, a formação e implementação destes grupos reflexivos nos câmpus será gradual e passará obrigatoriamente pelo envolvimento das direções das unidades universitárias.
“A masculinidade branca e de classes privilegiadas, tomada muitas vezes como universal e neutra, foi historicamente tratada como não problemática, como se não precisasse ser analisada, questionada ou desafiada. Quando discutimos masculinidades no âmbito institucional, estamos nos dispondo a questionar essas hierarquias e ampliar o horizonte da equidade”, diz a docente Larissa Pelúcio, assessora da Proade.