Alta nas ações trabalhistas transforma feriados prolongados em teste de gestão nas empresas
Períodos de alta demanda revelam falhas em escalas, banco de horas e pagamento de adicionais
O número de ações trabalhistas voltou a crescer no Brasil e atingiu um dos maiores patamares das últimas décadas em 2024. O Tribunal Superior do Trabalho registrou mais de 4 milhões de processos julgados no ano, dos quais cerca de 3,6 milhões foram novos casos. Em meio a esse cenário, períodos de alta demanda, como o Carnaval e outros feriados prolongados, têm exposto falhas recorrentes na gestão de escalas, banco de horas e pagamento de adicionais, especialmente em setores que operam no limite da capacidade.
A combinação entre aumento da judicialização e complexidade das normas trabalhistas transforma esses períodos em um teste prático da maturidade da gestão empresarial.
Para Mayra Saitta, advogada tributarista e empresária à frente do Grupo Saitta, hub de contabilidade, advocacia e consultoria empresarial, esses momentos funcionam como uma prova de estresse dos sistemas internos. “É em períodos como o Carnaval que aparecem com clareza os erros em escalas, adicionais e controle de banco de horas. O problema existe o ano inteiro, mas só fica evidente quando a empresa precisa operar no limite”, afirma.
Levantamentos da própria Justiça do Trabalho indicam que controvérsias sobre horas extras, intervalos e compensações estão entre os principais motivos de litígios. Em atividades que dependem de mão de obra sazonal, como comércio e turismo, o risco aumenta. “Quando a escala é organizada sem observar convenção coletiva ou regras de compensação, o empresário assume um passivo que pode comprometer o caixa meses depois”, diz.
O impacto vai além de multas e custas judiciais. Falhas na gestão trabalhista afetam margem, reputação e clima organizacional. Empresas que tratam o feriado como exceção, e não como parte do planejamento anual, tendem a repetir erros. Já aquelas que estruturam processos preventivos conseguem transformar o período em oportunidade de fortalecimento interno.
A especialista aponta cinco medidas que empresas devem adotar para evitar erros trabalhistas em feriados prolongados
Depois de períodos de alta demanda, o momento é de revisar práticas e contratos, com foco na prevenção de riscos e na organização das rotinas.
- Revisar convenções coletivas
Antes de definir escalas, é indispensável analisar o que determina a convenção da categoria sobre trabalho em feriados, adicionais e compensações. Ignorar esse ponto é uma das causas mais recorrentes de autuações. - Formalizar banco de horas
A compensação precisa estar respaldada por acordo válido e controle transparente. Sistemas digitais reduzem falhas e oferecem rastreabilidade em eventual fiscalização. - Planejar escalas com antecedência
Antecipar a organização de turnos evita improvisos e diminui a exposição a pagamentos indevidos ou descumprimento de intervalos legais. - Mapear riscos por setor
Áreas com maior fluxo de clientes demandam reforço de equipe. A análise prévia permite calcular o custo real da operação e evitar surpresas financeiras. - Contar com assessoria especializada
A contratação de consultoria trabalhista e contábil integrada ajuda a cruzar dados de folha, jornada e encargos, reduz inconsistências e fortalece a governança.
Segundo Mayra, empresas que investem em estrutura preventiva colhem ganhos além da conformidade. “Gestão trabalhista não é apenas evitar multa. É proteger margem, organizar processos e transmitir segurança para o colaborador”, conclui.
Com um calendário anual marcado por sucessivos picos de demanda, cada período de maior movimento funciona como diagnóstico da organização interna. Quando surgem falhas nesses momentos, o risco é que a desorganização se converta em passivo judicial e impacto financeiro no médio prazo.
Sobre Mayra Saitta
Advogada, contadora e empresária, Mayra Saitta é fundadora do Grupo Saitta, hub de contabilidade, direito empresarial, marketing e educação corporativa com atuação no Brasil, Estados Unidos e Europa. Nascida em Praia Grande (SP) e graduada em Ciências Contábeis e Direito, ela se especializou em Direito Empresarial e construiu uma trajetória marcada pela inovação em gestão e pela defesa do protagonismo feminino nos negócios. Em 2024, foi homenageada pela Câmara Municipal de Praia Grande com o diploma Graziela Diaz Sterque, em reconhecimento às suas contribuições à comunidade e ao desenvolvimento local.
Em 2025, lançou o livro A mente ágil do líder: como liderar com flexibilidade e propósito na era da inteligência artificial, no qual apresenta reflexões sobre liderança e transformação digital. Idealizadora do Saitta Day, evento que reúne empresários e especialistas para impulsionar o empreendedorismo na Baixada Santista, Mayra é reconhecida por unir visão estratégica, propósito e impacto social em sua atuação.
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Sobre o Grupo Saitta
Há 15 anos, o Grupo Saitta atua como um hub de soluções integradas em contabilidade, advocacia, marketing e educação corporativa, com sede em Praia Grande (SP) e presença em todo o Brasil, além de uma carteira de clientes nos Estados Unidos e Europa.
Reconhecido pelo Método Saitta, modelo próprio de gestão de processos, o grupo se consolidou pela capacidade de unir eficiência operacional, rigor no cumprimento de prazos e uma gestão humanizada, que valoriza a parceria e o desenvolvimento conjunto entre empresas e profissionais.
Pioneiro na Baixada Santista ao criar um setor de Customer Success voltado à experiência do cliente, o grupo também promove mentorias e programas de capacitação para líderes e empreendedores, com foco em produtividade, gestão inteligente e posicionamento estratégico. Sua missão é clara, fortalecer empresas e inspirar vidas, conectando pessoas, propósito e performance.