Valdemar Costa Neto e Rueda prometem barrar PEC que acaba com escala 6x1
Líderes do PL e União Brasil se unem para impedir avanço de proposta que altera regime de trabalho e alegam risco à economia.
Os presidentes nacionais do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antonio Rueda, anunciaram que vão atuar para impedir o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. As declarações foram feitas durante jantar com empresários promovido pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo.
Valdemar Costa Neto avaliou que é "difícil" para deputados federais ou senadores votarem contra a proposta, devido ao potencial impacto eleitoral. "Nós vamos trabalhar para não deixar votar", afirmou, destacando que a estratégia será atuar junto ao presidente da Câmara para barrar o texto ainda na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). "É ali que vai ser a guerra", disse.
Segundo o dirigente, a iniciativa faz parte de um conjunto de propostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com viés eleitoral, destinadas a um público específico, como a ampliação de subsídios. Para Valdemar, a direita precisará apresentar propostas alternativas, que, segundo ele, devem ser encaminhadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Antonio Rueda, do União Brasil, também criticou a PEC, afirmando que ela "incomoda todos os pilares da indústria econômica do Brasil" e classificou o texto como prejudicial ao setor produtivo. Na avaliação dele, a medida teria finalidade eleitoral e poderia gerar efeitos negativos na economia. "Vai gerar inflação, cair no bolso do consumidor. Vai ser precificado", declarou, ao sustentar que o custo seria repassado em diversos setores.
Rueda reconheceu a dificuldade política de barrar a matéria caso ela avance, diante da pressão sobre parlamentares que buscam a reeleição. Mesmo assim, defendeu articulação nas comissões, especialmente na CCJ, para tentar segurar a tramitação. "Se for ao plenário, ela é avassaladora", avaliou.
Ambos defenderam que a contenção da PEC exige articulação e diálogo no Congresso, com o argumento de que a proposta representa um risco para a economia e para o setor produtivo.