MERCADO FINANCEIRO

Caixa negocia compra de carteiras do BRB após crise no Banco Master

Banco federal avalia adquirir créditos do BRB para reforçar liquidez após perdas com ativos do Master. Discussão sobre federalização é considerada prematura.

Publicado em 23/02/2026 às 16:24
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal está em negociações para adquirir carteiras de crédito do Banco de Brasília (BRB). Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a direção do banco federal não descarta debater outras alternativas, mas considera "prematura" a discussão sobre uma eventual federalização do BRB.

No momento, a principal possibilidade em análise é a compra, pela Caixa, de carteiras originadas pelo próprio BRB, que busca reforçar sua liquidez após a necessidade de provisionar pelo menos R$ 5 bilhões devido a perdas esperadas com ativos do Banco Master.

Além disso, a cúpula da Caixa não descarta que as discussões avancem para outras soluções. Uma das alternativas cogitadas é a participação do banco em um consórcio para viabilizar um empréstimo, permitindo que o governo do Distrito Federal aporte recursos no BRB — medida considerada mais relevante do que a liquidez imediata, neste momento.

As informações foram inicialmente publicadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Fontes próximas às negociações destacam que as conversas sobre esse empréstimo ainda estão em estágio inicial, mas enxergam essa saída como a mais adequada para socorrer o banco do DF, por ser menos drástica do ponto de vista do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Como já noticiado pelo Estadão, o Banco Central pode adotar medidas prudenciais preventivas no BRB caso o governo distrital não realize os aportes até 31 de março, prazo para a divulgação do balanço do banco público.

O aporte é necessário devido à compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Banco Master. Embora o banco distrital tenha conseguido trocar esses créditos por outros ativos do Master, a qualidade duvidosa dos papéis pode resultar em perdas entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões.

Em setembro de 2025, o patrimônio líquido de referência do BRB era de R$ 4,289 bilhões, último dado disponível. Na prática, isso significa que o banco do DF ficou com as contas negativas ao ter de provisionar pelo menos R$ 5 bilhões para cobrir possíveis perdas.

A possibilidade de um empréstimo está sendo negociada pelo governo distrital com diversos bancos e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida é necessária porque o governo do DF, controlador do BRB, não dispõe de recursos em caixa para realizar o aporte, conforme já informado pelo Estadão.

Na sexta-feira, 20, o governo do DF encaminhou à Câmara Legislativa (CLDF) um projeto de lei com medidas para capitalizar o BRB. O texto prevê, entre as alternativas, o uso de 12 imóveis públicos como garantia para a operação.

Segundo interlocutores, a aprovação desse projeto é fundamental para o avanço das negociações, embora seja considerada a etapa mais simples, já que o empréstimo ainda precisa ser acertado com as instituições financeiras.

Os termos finais dependerão da precificação e de diversos riscos jurídicos. Até o momento, nenhuma proposta concreta foi apresentada ao FGC ou aos bancos que podem viabilizar o aporte.